EPISÓDIO 2

My Birthday – pré

Vinte e sete de março! É hoje o dia do meu aniversário…fatídico aniversário, digamos assim. Infeliz idéia! Porém, surpreendente. A deprê básica e ansiada para tal irrompeu logo ao nascer do sol, quando vislumbrei a primeira fenda de luz driblando os contornos da janela, vindo a banhar meu lençol. Entretanto, embora a façanha do ávido avançar da idade tenha me tomado o fôlego, uma inspiração divina me pegou de surpresa. A melancolia do calendário “30 primaveras” me propôs um brinde, como um presente de aniversário. Sentia-me triste, claro, básico, tipo inevitável, afinal, meus vinte foram total embora. Ninguém está muito preparado ou a fim de se despedir dos seus vinte, principalmente as mulheres, em especial, as solteiras como eu. Mas, o dia começou claro na janela e assim, senti-me sutil e estranhamente animada com aquela data. Estava de certo fazendo 30 anos! Estava absolutamente sendo apresentada ao mundo das famosas balzaquianas, porém estava mais madura, mais mulher.

Sou quem sou e nada pode me impedir. Agora sou muito bem crescida e darei satisfações somente a mim mesma!”- falei ao meu Ego, olhando-me no espelho da penteadeira e das vaidades essenciais da condição humana, descabelada, com olhos de quem acabou de acordar.

Bingo! Antes da balada à noite, vou fazer uma tatoo e colocar um piercing. Sempre fui reservada nesse sentido, principalmente à pedido de minha mãe. Mas, desculpe-me platéia! Agora tenho 30 anos e vou “mutilar” ou “colorir” meu corpitcho da forma que eu bem desejar.

Falando em piercing, naquela manhã me lembrei de algo bizarro do meu passado obscuro dos vinte e poucos anos. Todas as mulheres têm sempre algo bizarro para se lembrar. Sabe aqueles casos que todo mundo fica sabendo porque você entra em desespero na época e seu celular pós-pago passa da conta dos R$500,00 pra cima de tanto você repetir a história a todos pelo telefone(como se alguém pudesse oferecer um conselho milagroso!), mas que passados alguns anos, você MORRE total só de ter sido a protagonista da história!? Pois bem, na idade dos vinte e poucos, apaixonei-me perdidamente por um velho dinossaurico, como dizia minha amiga Vanessa. Ou ainda “caquético”, “pinto murcho”,como ela sempre argumentou. Então, lembro-me do cinqüentão e eu com vinte e pouquinhos, e nossa, de repente, bateu a crise no famoso “velho” de cabelos brancos. E, caro leitor, você nem imagina! O cara, na crise de meia idade colocou um piercing na sobrancelha. Imagine, leitor, um velho de cabelos totais brancos e com um piercing lá, quase no meio da testa. Bizarrice absoluta aos corredores do fanatismo à juventude eterna! E não se tratava de um velho alternativo, do tipo Rolling Stones. Era um senhor certinho e tal, mas que da noite para o dia, colocou um piercing. Quando eu o vi, mesmo apaixonada, afe, quase desmaiei diante da contemplação máxima do Ridículo personificado, lá na minha frente. Credo!

Bem, mas nesta idéia, olhei-me ao espelho e pensei:

Será que eu vou ficar parecida com aquele velho se eu colocar um piercing!?”- refleti.

“Nãoooo!”- respondeu meu Ego, ainda dizendo que eu não tinha cinqüenta e poucos anos, mas ainda trinta…Deus, na hora me deu até certo alívio. E é claro, os brancos, alguns deles, já moravam na minha cabeça, mas ainda alguns anos aconteceriam a fim de tomar todo o topo, como uma guerra ou uma bomba atômica.

Falando em corpo-corpitcho, o jejum da semana passada valeu a pena. Propósito conquistado! Para eu A-R-R-A-S-A-R na festa do meu aniversário, minha barriga tinha que estar menor de qualquer maneira, assim como a minha bunda. A saladinha de segunda a sexta-feira foi um óh, quase desmaiei, mas vou caber no tubinho preto um número menor. Ah, e tomara que o Márcio, super gato, vá. Preciso que ele vá! Ainda não entendo porque ele me liga há oito meses, e nunca assume nada comigo. Mas, de hoje, não passa! A certeza de um sucesso concreto, final feliz, faz meu coração saltar desde a manhã. Se bem que a dúvida permeia meus pensamentos, afinal, sou uma de suas bonecas, certeza. Mas, quem sabe a noite de aniversário traga o inédito como garantia, como presente de aniversário!? Nada está certo e o destino está para ser escrito.

Quem diria!? Eu com pensamento positivo.

Por volta das oito da noite, super cedo, comecei a me enfeitar. O dia foi corrido. Os telefonemas da família, dos amigos e da clássica frase “você está conservada” fizeram meu cérebro tremer. Mas, todas que fazem 30, acabam por ouvir isso, e devo estar completamente preparada, pois acabo de me adentrar na fase daqueles parentes que começam a te apresentar caras divorciados. Clássico balzaquiano!

-“Oi Tia Marluce, tudo bem com a senhora?!”-falei, atendendo correndo o telefone, secando as unhas pintadas de rosinha claro.

-“Tudo minha querida, Agatha….estou te ligando para te dar aquele super beijo e um parabéns bem gostoso!”

-“Puxa, tia, muito obrigada. Estou ficando velha, mas(risos), obrigada por ter lembrado!”

-“Quanto anos querida?!”

-“A senhora acredita que estou com 30 anos já!”?

-“Nossa…nossa, já? Ainda me lembro de você quando menina. Mas, não se preocupe. Você está linda e nem parece a idade que tem. Está super conservada….!”

-“C-O-N-S-E-R-V-A-D-A…..”(pensei, com dores no cérebro)

Que tal a da minha vizinha:

-“Minha doida linda, esse ano você se resolve, tenho certeza!!!”

-“ Não, Nina, acho que balzaquiana agora, não sonho mais com um príncipe encantado!”

-“Que nada, uma mulher lindona assim! O Alfredo está separado e louco para conhecer alguém!”

Clássico, clássico, clássico!

Atenção teatro romano “balzaqueo”, os tambores anunciam a chegada de mais um clássico em seus capítulos!

Sensação! Verdade! Pura realidade! Quem sou eu diante dos ditames pregados pela realidade e seus filhos julgadores?

Apenas uma Agatha, a boa com ares de má, ou vontades de má. O que for…

Iria começar a conviver com tal situação.

-“Xi, você vai ouvir e muito isso! Comigo acontece a toda a hora…”- diz minha prima Carol, solteira ainda aos 39 anos.

Curiosa a vida! Brindemos a reflexão! Antes, os rapazes bonitos, de vinte e cinco, vinte  e sete anos, virgens da situação casamento, totalmente disponíveis! Depois dos trinta, ah, vamos pegar o que “sobrou”. Clamemos: “Recém-separados, fiquem felizes, pois a vida lhes brindou com as Balzaquianas de plantão – noivas que estão sentadas há anos na saleta da igreja só esperando o noivo chegar, sempre a qualquer momento!” Aí vem um com a típica frase: “…quando você menos esperar, você conhecerá alguém! Desencane e viva a vida…”. Só que se esqueceram de falar a real: “…quando você menos esperar ou quando você mais esperar, procurar, não vai fazer muita diferença, porque seu príncipe pode ter morrido antes de você ter nascido ou de repente, ele nunca vira”.

(risos sarcásticos)

Aliás, aos 30, hoje percebo que posso sim viver só. Será!?…Bem, reflitamos. Quem foi o total burro que ensinou à humanidade a obrigação de se ter que ter alguém e que ser solteiro pode ser algo estranho!?… A máxima: “…nossa, ela deve ter um problema coitada…”- o clássico pensamento dos casais naqueles jantares de casais que te convidam e só você e uma outra são solteiras. Ou ainda, os clichês, do tipo casal que se casa e demora anos para ter filhos. O clássico comentário: “…nossa, um dos dois deve ter problema…”.

Idéia inexata!

Maldita sociedade que brindou o mundo com ridículos clichês. Um bando de bonecos e bonecas seguindo ditames que mal sabem do que se trata. Depois alguém mata alguém e ainda é culpado!…

……

…….hum…

Nossa, estou sinistra. Virei já uma solteirona frustrada, com aquele discurso revolta-ao-mundo!? Não, assim meu Ego clama. Coisa desta minha idade que deve estar me aterrorizando neste agora…Mas…toda divagação tem um fundinho de verdade! Idéia clara!

Bem, mas voltando ao desenrolar dos primeiros momentos Trinta, comecei a me arrumar para a grande noite. A festa seria na balada de sempre. A balada das bonecas de todo o fim de semana, o point, onde nós, bonecas viciadas, vamos aos bandos toda sexta-feira, sábado, e eventualmente, quinta.

-“ Faz a festa em outro lugar, minha filha, sempre lá!”- dizia minha mãe.

- “Vocês já estão muito marcadas lá, pois não saem desse lugar!”- completou minha irmã de 12 anos, intelectualóide, com oculinhos na testa e livro do James Joyce nas mãos, uma garota prodígio.

Não, não e não! A afirmativa aqui inexiste. Idéia sucumbida! As bonecas são viciadas e mudar de lugar seria impossível. O pessoal estaria todo lá. A galera…

-” Agatha, você não tem mais idade para falar GALERA!”- disse meu Ego.

Ignorei-o.

…e hoje, meu aniversário seria o momento da maior exibição possível. As prateleiras estariam a ferver aos olhos das sensações e gostos!

Pois certo…

A produção deveria ser caprichada! Olhei pela fresta da janela e a escuridão estrelada deu sentido ao meu dispensar-o-bolo-da-vovó. Comi meio pedaço por conta do tubinho(apesar de ser de chocolate e eu amar o chocolate…poderia assassinar todo aquele chocolate naquele momento, ainda mais com a ansiedade que estava…mas me controlei, ineditamente!). Agradeci a todos e corri para o meu quarto no intuito de engatar a super produção. Detalhe: moro ainda com meus pais. Solidão, comodismo? Não sei ao certo. Mas, posso dizer que adoro família, e sou super tipo família. Pena, que talvez a família fique só por aqui.(risos) … Não é papo-solteira, é papo-realidade. E lá temos outro clichê. Tens uns e outros mal-amados que adoram criticar quem mora ainda com os pais, como se o “ainda” fosse sinônimo de obscenidade.

Ora bolas!

Poupe meu cerebelo! Idéia inexata!

Primeiramente, eu já deveria entrar no clima. Eu e a Vanessa nos falamos novamente. Estava ela ansiosa e super animada, como a concentração de uma escola de samba. Disse que levaria até mesmo o bolo, e ainda cobrou minha presença às 22h15, impreterivelmente(um dos meus clássicos é ser atrasada). Caso contrário, eu perderia o camarote. Sempre nos encontramos meia-noite na porta, mas, desta vez, seria preciso ir mais cedo.

Pois bem! Diante da celebridade maior, eu, naquela noite, reiventei-me e me pus a melhor. O tubinho caiu bem. A progressiva nos cabelos de pé! A maquiagem, perfeita! Hum, talvez me falte algo. O que seria? Claro, o anel que a vovó me deu quando fiz 15 aninhos. Um toque diferente para dar sorte! Quem saber neste 15 x 2, tudo mude!

A noite era minha!

Chegando lá, desta vez sozinha, pois cada uma foi com seu carro, estavam elas lá. As quatro das mais famosas bonecas. Lindas, brilhantes, enfeitadas- de- arrasar, como purpurinas em meio a um manto estrelado. A noite seria nossa, sim, por completo! Estacionei o carro na pracinha e já as encontrei fazendo um esquenta no ponto de táxi. Olhei para elas, e todas sorriram. As quatro bonecas! E vamos às apresentações!

Boneca Agatha: agatha2esta sou eu, a mais nova das quatro célebres bonecas. Como comentado nas iniciais da narrativa, detenho um formato pêra, fato que me faz quase sempre usar a calça preta para disfarçar os quilinhos a mais. Cabelos lisos na altura do pescoço, escuros! Trabalho como editora de moda e assim, tento entender tudo sobre as tendências das passarelas, o que talvez não seja o caso. Faço tipo a boneca-romântica-sarcástica, uma mescla de Cinderela com a Bruxa do 71. Adoro dançar, beber, e a caipiroska de morango é a minha convidada de toda à noite.

Homem atual: o Márcio.

Eu o conheci na balada, o que me dá o direito de ouvir quase sempre: “…é cara de balada, nunca vai te levar a sério!”. Sei que ele vive me colocando e pegando de volta na prateleira, e eu, boneca- romântica- assumida, topo, como se uma luz divina um dia viesse a mudar os pensamentos dele. Um cara que não quer nada sério, ou que finge que quer mas não o realiza, teria, como num passe de mágica, a habilidade de se transformar em um alguém que tudo quer sério? Difícil. Só mesmo as lendas, e uma delas é a Flávia.

E o que seria lenda? Lendas são as garotas que já tiveram a capacidade-quase- impossível-que-só-se-vê-em-filme-de-Hollywood de conquistar e namorar sério um cara que conheceram na balada. A probabilidade gira em torno de 0,99% já que a noite “baládica” é mais um mercadão de usados e semi-novos onde as prateleiras fervem até as altas horas da madrugada. Mas, como quase toda a regra tem sua exceção, os 1% que a Flavia participou oferece a chance de pensarmos, todas nós, que tudo é possível. Saímos de balada e a maioria diz que deseja se divertir e tal. Mas, é claro, que todas, sem exceção, acreditam que podem encontrar um príncipe em meio ao flash back e aos quilos de vodka de plantão.

(risos sarcásticos)

Ainda me lembro de um diálogo com uma das meninas:

-” Preciso sair e ver se encontro alguém. Onde mais vou conhecer? No trabalho, só cara casado. Tenho que sair, do contrário, vou me casar com o entregador de pizza!”- comentou uma amiga, desconsolada ao telefone.

Continuando…

Boneca Flávia: flaviaA Flávia talvez seja a mais temperamental de todas nós. É a mais brava e não leva desaforo para a casa. Vive a protagonizar cenas pitorescas, com direito a capítulos de barracos ornamentais. Está sempre divagando no coliséu. Faz o estilo boneca-mulher-maravilha, e por isso, esbraveja toda a vez que sente que está muito na prateleira. É também a mais em cima do muro. Difícil prever seu comportamento, pois faz o estilo certinho e louquinha ao mesmo tempo. De cabelos aloirados, mesma altura que eu, e estilo sorridente, esta boneca se veste toda certinha, fechadinha, mas em 49,9% das vezes, termina a noite no quarto de algum cara. “De boa”, como ela mesmo diz, se o cara realmente for o cara, não vai se importar se ela “der” na primeira noite.

Homem atual: todos.

Já com 32 anos, terminou um quase-namoro há pouco tempo, então, está total na pegada, afim de cometer todos os suicídios no meio de uma pista. Atenção Platéia: venham todos assistir, pois a Flávia vai sangrar nesta pista suada e usada!…Difícil fase, coitada, mas é super gente boa. Tivemos, tempos atrás, uma séria briga, pois ela ficou com o meu cara, e eu, na raiva, com o dela. Trivialidade feminina! Histórica entre todos os povos! Mas, voltamos a nos falar e hoje estamos bem. Afinal, para que brigar por “caras de balada”?…como nós mesmos e eles se intitulam.  A Flávia é ainda nutricionista e trabalha em uma grande empresa. Quase sempre perguntamos e não entendemos como ela não consegue conhecer nenhum homem legal se na empresa dela trabalha mais homem do que mulher. E ela sempre nos responde: “são todos casados, e casados tô fora!”. Bem faz ela! Estamos com mais de 30, porém ainda seguramos a apelação geral.  E sobre o caso lenda, a Flávia, aos 25 anos, conheceu um rapaz na balada e o namorou sério por 2 anos. Por isso, ela seria uma das lendas, história que ela mesma adora contar com todo o orgulho do mundo.

Boneca Vanessa: vanessaa Vanessa está com 31 anos. Já tem uma filha, mas não fruto de um casamento sólido, mas de um namoro nos tempos dos vinte e poucos anos. Advogada, morena e alta, a Vanessa é a mais solta de nós, a mais doidona, digamos assim. Costuma se vestir sempre de forma “sexy”, com as pernas e costas de fora, mesmo se o Pólo Norte bater lá fora. Adora um decote, pois deixa bem à mostra seus seios avantajados. Faz o estilo boneca- disponível-sempre, a toda hora. Talvez ela seja a que mais “pega” na balada, chegando até mesmo a beijar 6 em uma única noite. Mas, dia seguinte, fica sempre ávida na espera do telefonema de algum dos caras. Impossível mas ela consegue o improvável: romantizar o beijo em seis bocas em uma noite só! Como ela sempre diz: “domingo não tem nada para fazer e preciso garantir uma saída! …a gente tem que sempre garantir algo”. Sempre dou muita risada com ela, pois ela é a mais divertida.

Homem atual: o Marcos, o exótico rapaz da dupla de gêmeos italianos que estão sempre nesta balada. Como ele sempre está lá e ela também, quando ninguém pega ninguém, os dois ficam. Diz ela que já se apaixonou por ele, mas o esqueceu, e hoje é mais questão de prateleira mesmo.

Boneca Cristiana:cris A nossa mami, digamos assim. Aos 34 anos, é a mais velha do quarteto da turma. Faz o estilo mais clássico. Com cabelos ruivos pintados e estilo chanel,  a Cris, empresária, é a mais sofisticação. Adora maquiagem leve, roupas sem muitas cores, mas não dispensa o salto 10, algo que disfarce ou dê um pouco mais de charme aos seus 1.56 m de altura.

Homem atual: o Pedro, óbvio também de balada e freqüentador assíduo da mesma casa aos finais de semana. Às vezes ela reveza com o Augusto, 10 anos mais novo que ela. “…impossível eu ficar com um pirralho. Por acaso, tenho cara de mãe!?”, diz ela, mas quase sempre, ela saí da balada com ele para lugares secretos(risos-motelísticos), digamos assim. Ela está sempre apaixonada pelos dois, e nunca se decide,e por isso, comete alguns deslizes, tipo foras. Sabe aquele tipo de gente que vira-mexe, dá um fora!? Pois, bem, a Cris é assim. Tem sempre histórias de trocas de nomes de homens na hora H, ou saias justas quando se vê diante de dois ficantes, acidentalmente, em um mesmo ambiente. Ela é também a mais “interesseira”. Para ela, homem tem que ter carro e grana. Do contrário, ela não dispensa seu falatório com um “pé rapado”, segundo suas próprias palavras. Ora faz o estilo de boneca de loja, disponível aos que querem comprá-la(se o leitor me entende), ora faz dos homens seus bonecos.

Bonecas….bonecas..

Estas são as quatro bonecas principais. Mas, a turma é grande. Somos em quinze aproximadamente. Falo de quinze mulheres de idades que variam dos 28 anos aos 52.  A turma ainda apresenta outros cinco homens, os bonecos, digamos assim.

Considero o grupo como “os últimos solteiros da cidade”, os 4,99% que ainda não se casaram lá do álbum de formatura do colegial, e que freqüentam as raras baladas dos mais de 30 anos. Digo isso com toda a afirmativa, pois 90% das baladas estão lotadas de pirralhos e pirralhas de 19, 20 anos, aqueles que sem você perceber trocam palavras como “veio” e “ta ligado!” com você. Jamais me esquecerei do instante em que percebi que o mundo-balzaqueo-solteiro  me espreitava por trás das janelas. Na comemoração dos meus 28 anos, marquei a festa em uma balada da moda, destas que todos estão indo. Claro! Queria estar entre os melhores, e assim, fiz sem checar o tipo de idade do público que lá frequentava. E em meio a pista de dança e músicas remixadas dos grupos juvenis do momento(hoje, me esqueci o nome, mas era coisa à lá RBD do atual),  me deparei com minha “priminha”, de 18 anos, lá dançando. Nos cumprimentamos, mas repudiei total vê-la, pois em minha mente, ela ainda usava fraldas. Estar na mesma balada que ela me fez pensar:

-” Nossa, ela usava fraldas e eu já frequentava a balada. Ela cresceu e eu ainda estou aqui, nas baladas!?….afe, não pode. Nunca mais venho pra cá!”

Básico, meu Ego me fitou:

-” É, você tem que começar a procurar baladas mais de gente da sua idade. Você não tem mais idade para qualquer lugar, do contrário, você pode espantar os menininhos e as menininhas!”

E, ainda, minha prima completou o discurso-luxo-lixo:

-” Nossa, Gha,você é diferente né? Quando eu tiver a sua idade,e se eu não casar, quero ficar como você, super animada, indo para a balada. E você parece bem mais nova!”

Tradução, caro leitor:

-”Nossa, Gha, porque você é diferente, nunca namora e está solteira aos quase 30 anos? Quando eu tiver a sua idade, claro, daqui há uma década, se eu não casar, e Deus que me livre disso, não vou ter outra solução aos sábados à noite, e vou ir para a balada, curtir, sabe, tia-prima? Você tem quase trinta anos, mas dê graças a Deus que você parece ser mais nova!”

Basta!

Achei tal capítulo um terror, para bem dizer a verdade.

Continuando…

Diante de tal destino, e para não corrermos o risco de sermos chamadas de tia,  nos concentramos na mesma balada, ora trocando por um ou outro raro lugar, e assim, compartilhamos das mesmas idéias, flash back , viajadas e conquistas. Nos adoramos, não nego, e não vivemos sem nós mesmos. Começamos com um grupo de três, e hoje, as carinhas marcadas são tão conhecidas que o “oi, me conta tudo!” é a frase principal quando adentramos no cenário da balada. A amizade é certa, mas o momento Gossip Girl sempre entra em ação. E vamos, os trintões, na balada mesmo!Nada daquela situação programada: “…saí dessa fase, curto mais um barzinho!”- jargão clássico de muitos trintões. Gostamos é da balada, do som alto, da música, e dos homens e mulheres de lá. Afinal, frente à dificuldade de se encontrar um par no mundo real, a balada- mundo abstrato- tornou-se cenário para muitas rainhas- nós, as bonecas. E na falta de um cara bonito ou que chame a atenção, sinto muito, vou encher a cara. Sou adulta, profissional, solteira, sem dar satisfação a ninguém, e neste agora, vou dançar e beber, sem medo de ser feliz. Sou eu quem vai digitar a senha do cartão de crédito, no final, e não você!

Idéia clara!

E lá estavam todas elas. Vestidas praticamente iguais, maquiadas, lindas e super animadas. Seria o meu aniversário! A grande noite! A fila da balada já começava a aparecer, mas é claro, não pegaríamos, pois o pessoal que trabalha na porta sempre nos libera na entrada, afinal, estamos nesta freqüência há tempos. Mas, um momento! É a hora da Vanessa comprar cigarro no barzinho da frente. E põe cigarro nisso! Mas, felizmente, não fumo, e a lei do “proibido fumar dentro da balada” foi um sonho para mim e meus cabelos, ao contrário da Vanessa, que detestou a medida.

Cigarro, roupas sexies, batom nos lábios…as bonecas chegaram lindas, para arrasar. Dá licença galera, público, platéia, desculpa te cortar nesta fila, mas as celebridades chegaram!

 

One Response to “Meu Aniversário – preparativos!”

  • Royal Osíris disse:

    Apesar do site ter um layout de difícil leitura, acompanhei o primeiro e o segundo capítulo. Adorei o texto e a preocupação que você teve nos detalhes das baladas, na descrição das bonecas, no perfil masculino, entre outros. O universo feminino moderno é amplo, vasto, misterioso para nós homens de certa forma! É sempre um prazer adentrar neste orbe tão belo e complexo.

    Ideia inexata? Não neste caso.

    Good Job.

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