Drinks, baladas, fofocas, amizades, romance e aventuras!

o seriado

“Sou balzaquiana! Trintona! Hum, será que estou ficando velha!? Adoro minha profissão, minha independência, minha liberdade. Estou querendo emagrecer, claro! Preciso comprar roupa, perfumes, maquiagem, já! Ah, e creme para as primeiras ruguinhas!…Ops!Adoro salto alto! Quero também um amor, pois cansei dos cafas de plantão e quero sossegar! E enquanto não encontro, vou pra balada e bebo todas. Danço, danço, danço! Sou uma típica cinderela do século XXI!”(Agatha)

Episódio Um (Primeira Temporada)

Balada, fim-de-semana!

Ligo o carro acelerada. A marcha da primeira engata para uma quarta. Preciso chegar a tempo, afinal, como sempre, estou atrasada. O pessoal combinou às 23h15 na pracinha, e já são 23h20. Bem, em 15 minutos devo chegar lá.

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Hum, sinto-me extraordinariamente excitada! Não no sentido literal da palavra, mas na generalidade que o sentimento evoca. Talvez, hoje, seja uma grande noite. Talvez, à despeito da maré de todo fim-de-semana, esta seja uma balada especial. Talvez eu encontre “aquele” cara. Talvez eu conheça um homem que se apaixone loucamente por mim à primeira vista e que me trate feito princesa. Princesa!? À propósito, posso não mais me intitular como tal, pois à beira dos meus 30 anos, confesso que me enquadro certamente na figura balzaquiana com ares de rainha.

Idéia inexata!

Meu nome é Agatha, de origem alemã. Vislumbrando minha face deveras bondosa, boa, como o próprio nome diz, deram-me tal título. No entanto,  calo-me diante do significado. Sim, sei que sou boa…mas, sinto-me às vezes de certo demoníaca. Na verdade, me enoja ser boa demais. Eu deveria ser má. A trivialidade, o comodismo e a mesmice da “bondade” é algo cansativo, rotineiro. Mas, o que posso fazer? Aos quase 30 anos, confesso que nunca matei ninguém(risos sarcásticos).

Continuando….me chamo Agatha, e alguns me chamam de Gha. Estou com 29 anos, quase terminados! Seria este um dos motivos da minha atual e infinita tristeza? Sim, caro leitor! Os “vinte” chegaram ao fim, e dentro de 5 dias, farei os 30. Que desolação! Não somente pela idade em si, pois sei que a fatalidade dos primeiros fios brancos já desponta em minha testa. Mas, pela situação em si – esta é a que pega. Estou entrando na terceira década total, completa, geral…e todos os “mente”, solteira. E nada da minha história ser daquelas trintonas enxutas já divorciadas, como muitas das minhas amigas. Sou daquelas que já se considera rainha, sem ter sido ao menos princesa. Princesas se casam jovenzinhas com seus principezinhos encantados. Aos 22 já são até mamães! Não, definitivamente, meu passado não engloba tal capítulo. Aos 22, 25, 29, e agora aos 30, continuo na casa das disponíveis, às vezes eternas, pois o andar da carruagem só corre às pressas quando as primeiras ruguinhas despontam em meus olhos. Fazer o que!? O certo é o mesmo ditado, seja lá em qual século for. Aquele papo das “modernóides”, ou ainda, “mulheres do século XXI que só querem curtir e mais nada” é conversa furada. Ao contrário da vovó, temos profissão, somos independentes, mas é certo que conservamos o véu e a grinalda ainda em nossas gavetas, à espera do seu primeio momento. E palco para a procura do “príncipe” existe para tudo! Mas, há sempre um contrasenso.

E é assim todo o fim de semana. Por volta das nove da noite, interrompo a novela das oito ou o seriado de TV já pensativa sobre qual modelito usar. Cansada? Sim, estou. Mas ficar em casa!? Impossível. Sou viciada, assim como todas as bonecas – minhas amigas baladeiras de plantão. É assim que eu as chamo! Bonecas, Bonecas! No decorrer das letras, você, leitor, irá entender. Voltando, qual modelito usar? Nossa, já repeti dezenas de vezes as roupas e algumas nem me servem mais. Imagino que os olhares da balada me fitam e clamam: “nossa, essa aí não tira essa roupa!”.

Idéia inexata!

Tenho comido demasiadamente. Os meus quadris largos, minha barriguinha saliente e meu peito tamanho PP denunciam meu formato pêra levemente acima do peso. Hum, é sempre muito fatigante encontrar a roupa correta. Que seja a calça preta de plantão! Assim meu quadril avantajado fica às escondidas. Jogo um tom claro na parte de cima, meus seios crescem milagrosamente e pronto! Um saltinho básico. Alías, como sempre, preciso emagrecer! Mas, por hoje não. Balada, sem beber, esquece. É como comer chocolate diet, banana verde ou chupar bala com papel. Mas, segunda-feira tomarei aquela decisão! Ou perco 5 quilos ou ficarei dias e noites sem colocar os pés para fora de casa, como penitência.

São estes os pensamentos que me embriagam no caminho para a balada- entretenimento certo, garantido e único para quem é solteiro. Mas, antes, claro, buscar a Vanessa. Amiga de longa data e baladeira de plantão, mais uma boneca assumida. Toco a buzina, ela demora a aparecer sempre por uns 5 minutos, mas beleza, fico no carro procurando algum som dos anos 80, 90, afinal, preciso me aquecer.

E lá vem ela, a boneca toda na passarela. Hum, já a vi com essa calça, mas nunca com essa blusa. É certo que ela hoje está querendo mostrar os seios. Está louca para pegar!

-“Oi amigaaaaa!”- diz ela, perfumada, maquiadérrima, entrando no carro, super animada.

Mas, antes que eu prossiga tal diálogo, permita-me a uma melhor apresentação.

Como dito, chamo-me Agatha, a talvez “boa”(risos sarcásticos), e estou para fazer 30 anos. Sou uma boneca assumidíssima, assim como as outras das baladas. Sei que o leitor deve estar com uma interrogação em sua mente, mas, cá estou aqui para esclarecê-la. Somos, à noite, todas bonecas. Nos enfeitamos feito bonecas, cabelos, maquiagem, roupa, e nos vestimos todas iguais, praticamente. Somos produzidas em série na fábrica: bonitas, super arrumadas, e disponíveis, totalmente disponíveis nas vitrines. E qual seria a melhor vitrine? A balada, claro! É lá que as bonecas deixam a roupa séria de trabalho do dia de lado, produzem-se com sensualidade, colocam a sombra preta para arrasar, chegam com ares de fatal, mas no fundo no fundo, querem mais é serem levadas para a casa, por algum príncipe mágico. E ainda somos como bonecas, pois vivemos na prateleira, ora saindo, ora voltando para a estante. Tudo depende de como eles, os homens e as circunstâncias, vão querer brincar conosco. A instabilidade homem-mulher dos dias de hoje é o pano de fundo. E assim, as bonecas fazem a festa. E há tudo quanto é tipo de boneca: boneca que está sempre na virtine só para ser observada, boneca que adora sair da estante o tempo todo, boneca que adora ser comprada por aquele gato que possui um super carro, boneca que não faz questão de absolutamente nada…etc….

Seria este um discurso feminista? Não, caro leitor, creio que a resposta é negativa. Em 2009, a superficialidade ao mesmo que intensidade das noites das ficadas, drinks e fofocas impera. E para completar, além das bonecas, existem alguns bonecos também para falar a verdade. Mas, ao final, a máxima fica sempre exposta: “aquilo é mulher de balada né!?”….ou, “ora bolas, aquilo é cara de balada né!? Nunca ele vai te levar a sério!”.

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Furor Balada Nights

….mas, de forma branda e poética! O furor do álcool me soltava, a paixão me dominava e a música penetrava em minhas entranhas, como cordas de um violão em uma canção de infinitos refrãos. Sentia-me uma completa orquestra. E neste enlevo, sentia-me total balada naquela especial noite. Era tempo do ritmo, das danças, das esferas na pista e do brilho do cenário! Era o momento da entrega ao maior contentamento: a arte de estar, de dançar, de sorrir, de viver, de amar, de beijar. Não havia tempo de mais nada. Passado ou futuro inexistiam! Apenas uma vontade de soltar o próprio corpo junto ao ritmo alucinante…No deleite, meu corpo mexia com velocidade e sincronismo…era a dança…era a vodka…eu era total som-groove-dance…

Dicionário nas mãos! Som nos ouvidos! Vida! Festa e aventuras! E neste compasso, criei meu diário de histórias: “Boneca solteira procura…”

Um brinde a nós, as Bonecas Balzaquianas!

2 Responses to “Boneca balzaquiana”

  • Snake (Asas Negras) disse:

    Olá, Pri! Como prometido, cá estou!
    Consegui ler (tenho tido dor e ardência nos olhos durante as leituras) e tentarei manter uma dose diária, um capítulo por dia, porque ainda tenho que salvaguardar meus preciosos olhos pra muitas coisas ainda até às 9 ou 10h da noite, quando eles se fecham até o dia seguinte rs
    Eu não sei como expressar isso de forma correta porque não sei nada de análise de leitura, mas a sua escrita passa exatamente a ideia que o texto emite: de rapidez, eletrecidade, emergencia. Foi super rápida a leitura, sem se atropelar, sem perder o ritmo ou se embolar em alguma coisa, resumindo, o casamento entre narrativa + texto + idéia ficou perfeito.
    E vendo um texto, uma estória tão atual, tão conectada com a nossa realidade, é de lamentar que nem isso as editoras brasileiras se interessam! Preferem importar “melancias” e “sushis” de fora, mas não tem coragem de lançar uma escritora boa com uma estória autêntica e contemporânea no mercado! Tenho certeza que venderia mto bem. Tenho certeza que mtas trintonas por aí se identificariam com a(s) personagem(ns) e consumiriam o livro apenas por isso, de início.
    E aquele velho conceito do príncipe encantado que continua atual. Todos querem ainda encontrar o amor-da-vida-que-permanecerá-para-toda-eternidade. Não importa quão moderno, quão righ-tech nos tornemos, a busca pelo amor e por um significado verdadeiro da vida sempre estará em nosso âmago.
    Vc é mto boa nisso, Pri!
    Espero e desejo do fundo do coração que esta série não fique apenas aqui na net, mas que ganhe capa e miolo de papel e brilhe numa vitrine de livraria.
    Vc merece porque faz por isso ;)

  • Priscilla disse:

    Prizoka,

    Tô amando a história. Juro que lerei um capítulo por dia, porque eu amei tudinho e já me identifiquei com as palavras, inclusive com a bonequinha loira lá de cima! (Risos).

    Milhões de Beijos!!

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