EPISÓDIO 9
Deveras estática permaneci? Não sei ao certo! O que minha mente vislumbrava com devoção era a maior verdade: sim, ele novamente, o Márcio, havia me enganado. Entretanto, não sei ao certo se o caso era um engano, pois ele realmente não havia me pedido em namoro. O fato é que acreditei, como quem agarra a oportunidade com unhas e dentes, de que aquele cara-de-balada tinha se apaixonado por mim. Idéia inexata!..A dúvida permeou meus pensamentos.
Imaginei eu coisas além do que via? Será que a “paixão” “demonstrada” por ele não era fruto apenas da minha imaginação fértil e ávida para ter um namorado?
Não sei, caro leitor. Entretanto, é básico, tipo óbvio, que o ser humano detém tal proeza e poder em transformar tudo o que vê, segundo os ditames de sua própria realidade. O que é realidade para mim, pode não ser para você. Por isso, a lei expõe a sua máxima: fiquemos atentos ao território em que estamos pisando, pois podemos estar pisando em ovos. E claro, cuidado com a exposição, porque depois, é você que tem quem ficar nua frente ao grande público. O mico será seu.
Do contrário, a máxima também fica exposta: alguns homens, ou melhor, muitos deles, adoram dizer que nos adoram, e tal, e adoram também agir como namorados, digo, pseudo-namorados, sendo que na verdade, não se intitulam como tal. Então, porque nos ligam, nos presenteiam, nos enchem de carinho e ainda dizem que somos muito importantes para eles? É certo que a mulher se engana e inventa um conto de fadas em sua mente, que na verdade nem está acontecendo, entretanto também é certo que muitos homens adoram “brincar” de namoradinho, só para conseguir sexo, e é claro, uma mulher no pé deles. Resumo: uma boneca para brincar às vezes!
“Ops…é a hora da agenda! Preciso cuidar para quando precisar, ter!”- assim, eles, pensam.
E nesta de cuidado, eles nos enchem de ilusões. O Márcio era de balada, ou seja, 99% de chance que eu não seria levada a sério, mas, diante dos meses e de seus carinhos, e da máxima:
- “…não estou preparado para ter algo sério hoje, estou sem tempo, mas te adoro viu?..quem sabe um dia! Ah, e se for para ter uma namorada, é claro que a minha primeira opção vai ser você, linda, pois você mora no meu coração! ”
Traduzindo:
-“…não estou preparado para ter algo sério hoje, e não te adoro tanto assim, do contrário, te namoraria. E tenho tempo sim, mas prefiro gastar com outra coisa. Ah, e se for para ter uma namorada, não seria você, pois eu já teria te assumido. Mantenho você para ter alguém gostosa para transar, e homem precisa de mulher. E para você não perceber nada disso, e te deixar bem mansinha, te trato com “carinho” e “atenção”!..até aparecer alguém que eu queira realmente namorar!”.
Dicionário! Seria interessante se tivéssemos um dicionário para tais situações, a todo o momento. Na dúvida, abriríamos as páginas e as frases seriam traduzidas de imediato. E neste contexto, obviamente não ficaríamos com a cara de tacho, cara que fiquei quando ouvi os últimos dizeres do Márcio. Teria ele sido mais sincero se desde o começo tivesse me dito a real, do tipo:
-“…ei, você não passa de uma boneca para mim, a qual eu curto brincar às vezes!”
Momento DEFINA:
Boneca (do espanhol “muñeca“) é um dos brinquedos mais antigos e mais populares em todo o mundo. Reproduz as formas humanas, predominantemente a feminina e a infantil. As bonecas podem ser confeccionadas com diferentes materiais, acompanhando a evolução dos mesmos e as novas tecnologias. Em muitas culturas, ela é um brinquedo associado às meninas, no entanto, existem versões de bonecos direcionados aos meninos, guardando ambos, como elemento essencial para a sua caracterização, as formas que lembram a humana, ou humanizada. As bonecas, e suas variantes masculinas, diferenciam-se de outros tipos de bonecos que representam outras formas de vida, como animais do mundo real, do mundo da fantasia, da literatura, do cinema ou do imaginário popular.
“…As bonecas podem ser confeccionadas com diferentes materiais”- frase interessante esta não!? Como dito nos primeiros episódios, somos loiras, morenas, ruivas, negras, brancas, japonesas…etc…e em qualquer país, a história é a mesma.
-“Vou brincar um pouquinho com você, tudo bem? Afinal,você é tão bonitinha, enfeitadinha!”
Meu Ego estava lá, e eu, em lágrimas:
-“Eu te avisei, hein!? Você pensa que milagre existe, minha filha?!”
-“Não me chateie com esse “eu avisei a você”….pois você bem sabe que poderia ter me ajudado!”- disse, enxugando as lágrimas.
-“Ah, tá…quem foi que te mostrou aquela loira no meio da pista, do lado dele?…Vendo aquilo, estava na cara que o cara não tinha mudado, e continuava sendo o mesmo patife de sempre! O cara, no teu aniversário, dando em cima de outra?Pára! Caso gostasse de você, jamais faria isso. É coisa de cretino, cafa…!E você não merece isso!”
-“Ah, mas eu não enxerguei, não estava de óculos…ajuda assim não preciso!”
-“Eita, você estava de lente desta vez?…”
-“Mas quase nunca uso, me irrita os olhos…só uso em situações excepcionais!”
-“Quer mais excepcional que o seu aniversário!?”- falou meu Ego, apontando para a caixinha de lentes no banheiro, ainda entreaberta devido ao recente uso.
Eu, certamente, estava usando lentes na noite do meu aniversário, mas diante da realidade vista, preferia me cegar a perder o meu reino conquistado.
Tempo!
-“Porque? Porque?…Tem algo de errado comigo, pois não consigo arrumar um cara legal!”-perguntei, ainda em lágrimas.
-“Não há nada de errado em você, e também não é nada errado ser uma solteira balzaquiana!…Dê uma banana aos padrões e siga a sua vida!”- disse o meu Ego, acariciando meus cabelos, protegendo e aliviando-me de todo o mal que sentia.
Momento DEFINA:
Padrão: O Vocabulário Internacional de Metrologia define padrão como Medida materializada, instrumento de medição, material de referência ou sistema de medição destinado a definir, realizar, conservar ou reproduzir uma unidade ou um ou mais valores de uma grandeza para servir como referência.
Idéia inexata!
Reflitamos em cima do expoente lido acima: “...reproduzir uma unidade em um ou mais valores de uma grandeza para servir como referência!”…
Quem foi o primeiro que começou com isso tudo? Claro, porque se o Padrão surgiu, é porque alguém inventou. É certo que em algumas coisas, o criador burro-inteligente do padrão acertou, afinal, hoje temos geladeiras, comidas, casas, e uma privada para defecar e dar descarga. Ah, e ninguém faz cocô na rua, porque é feio e fedido, exceto os mendigos, que mal enxergam um palmo diante de seus narizes. E também alguma ordem é prevalecida pois a monogamia é lei(exceto em alguns países que ainda usam leis dos tempos das cavernas, e claro, no mundo todo, pois o chifre rola na cabeça de muitos. Mas, é disfarçado e isso mantém uma aparente ordem. Do contrário o mundo seria um circo!)..Vontando…Além da ordem prevalecida, os bons costumes como lavar as mãos, comprimentar o padeiro com um sorriso e dizer que não estava em casa e por isso não atendeu o telefone só para ser educado, sendo que estava sim em casa, só que não queria atender tal pessoa, etc… trazem um pouco de organização ao mundo da bicharada que é o homem e mulher. No entanto, o criador foi também burro pois criou uma massa cega destinada apenas a seguir o que seus antecessores disseram ser o certo a fazer.
Mas, o que seria o certo? O que seria errado?
E se eu não quiser fazer o primeiro, segundo e terceiro grau? E se eu não quiser casar? E se eu quiser ir pra balada aos 50 anos? E se eu quiser fazer morar na rua? E se eu não tiver filho? E se eu não quiser tirar carta aos dezoito anos? E se eu quiser viver como um hippe nas praias, de “boa”, de brisa? E se eu trocar meu diploma de faculdade por uma carroça de cachorro quente? Você ainda continuará meu amigo?
Hum…os mais alienadinhos responderiam: “…hum, sai dessa fase!”- clássico de quem fez 30 anos e julga que não pode mais usar micro-saia, ou ir pra balada pegar….porque a “pegação” e seus filhos “tá ligado”, “veio” é pra criançada, e não para você. Clássico ainda para aquele que critica uma sessentona de decote, ou um velho pegando uma mulher 30 anos mais jovem, ou vice- versa…. Ou ainda, como minha prima disse, ao me ver arrumando minha pasta de papel de carta(item que coleciono desde os dez anos de idade):
- “Hum, você ainda está nessa fase? Dá pra Amandinha, nossa priminha de 8 anos!”
Clássico!
Quem te disse, quem te ensinou essa coisa de FASE? Quão besta é tudo isso, hein, leitor?
Uma banana às referências!
Tempo!
Seria eu a referência de mim mesma! Sim, o mais certo.
Sou solteira, sim, e daí?…By the way, não tenho problema algum, não, viu!? Papel de carta? A-D-O-R-O, especialmente o da Moranguinho. Meus óvulos estão começando a querer entrar na reta final, mas isso é problema meu. Porque? Por acaso está faltando algum ovo em sua geladeira para a sua gemada geriátrica do dia?(hum, boa para eu falar para a Nina…risos sarcásticos). Desculpa, mas a sua dentadura pode amarelar caso coma algum ovo, porque ovo tem a sua parte amarela, e amarelo demais amarela os dentes!…Além disso, Nina, vai ser difícil você escovar a dentadura pois suas mãos já tremem, né?…E ainda, platéia, não vou traçar qualquer um só para dizer que casei, ok? Vai ter que me encarar chegando sozinha nas festas, vão ter que me engolir….(clássico comentário nas festinhas das primas ou amigos, em que todos namoram, menos você, e todos te olham meio torto, como se uma penca de bananas estivesse brilhando no topo de sua cabeça!).
(risos sarcáticos)
Não me obrigue a apontar meu dedo indicar à sua face!
….
…….
Desculpe-me leitor. É a afobação do momento-fim-márcio-vá-pra-puta-que-te-pariu!
Tempo!
Reflexão!
Idéia inexata!
-“E quanto à minha solidão, vontade de ter alguém, sair da vida de balada, transar só com um, amar?”-perguntei ao meu Ego,
-“Toda panela tem a sua tampa!”- respondeu.
-“Afe! Não me venha com clichê de livro de auto-ajuda…!”- satirizei, já sorrindo para o meu Ego.
-“Brincadeira!”- falou meu Ego, rindo.
-“E?”- insisti.
-“Ah, Agatha. Se tiver que ser, será. Curta a sua vida e pague você mesmo o seu cartão de crédito. Deixa estar! Teu princípe ainda pode aparecer. E enquanto ele não vem, curta a sua companhia e pronto! Você não precisa se enganar com qualquer um. Ter um alguém pela metade é sinônimo de perda de tempo. E você não é um brinquedo..Mostre para esse Márcio o quão nada a ver ele é, ok?”
Hum…
Boa idéia!
Idéia clara, como um copo de água.
Incoformada-quase-aceitando, tratei de conformar-me diante da realidade ali apresentada. O que mais eu poderia fazer? Sim, voltar ao meu “realismo déspota”, fase que estava antes mesmo da comemoração do meu aniversário. Acredito que a data teria me feito divagar, como uma imbecil, uma palhaça em meio a um circo. Não por acreditar no Amor, pois o amor em si deve existir(será?…hum...), ao contrário do que a maré tem proposto. Mas, sim, pelo caso-Márcio, um completo dono das fábricas dos fogões experts em banho-marias. Ele deve ter outras só no cozinhamento, claro! É como um livro que li há tempos atrás, em que uma especialista em casos amorosos citou:
-“Quando ele vem com essa história de que não quer nada sério, acredite, ele não quer mesmo e não vai querer!”
É isso aí, moça das páginas! Não adianta tentar “mudar” o “imutável”. Esquece, passa reto. Caso tivéssemos tal poder, seríamos donos de qualquer coisa vista, e assim, sabemos que não somos. Milagre é coisa de deuses, mágicos, entre outras, e entidade nenhuma sou eu. Sou apenas uma Agatha, com vontades de má, mas sem muito peito para isso. Sou apenas uma mulher, que agora aos 30, tenho que me conformar que entrei para o grupo das solteironas balzaquianas…do tipo estagiário que é demitido bem no mês de sua formatura, ou aquele que termina a faculdade sem um emprego, com o corpo e o diploma só em mãos, ou ainda, como aquela que fez 40 anos sem ter filho, ou como aquela que terminou o colegial e não fez faculdade,ou aquele que fez faculdade e parou no terceiro semestre, ou como aquela loira de olhos azuis de rosto bonito porém gorda, como aquela linda, alta, mas careca, ou como aquela que ganha salário mas está sempre no negativo do banco, ou como aquela que compra uma bolsa Luis Vuitton e não coloca crédito no celular, ou como aquela que almoça salada e lancha uma barra de chocolate, ou como aquele que vai para a churrascaria, come um boi, e depois pede café com adoçante, ou como aquela que faz quinze anos, mas não dá festa nem vai para a Disney, ou como aquela que tem um super currículo, mas não tem inglês fluente, ou como aquela que é linda, profissional, mas está solteira…etc…
Refiro-me aos clichês, moldes, paradigmas, padrões, etc…que o mundo brindou aos seus bonecos e bonecas. E neste contexto, teria eu que me conformar que havia saido do padrão. Infelizmente, agora eu teria que “ouvir” o preconceito da sociedade, que estaria lá, ávida para me julgar.
-“ Nossa, como uma moça tão decente, bonita, talentosa, profissional, está solteira?!Isso, não está certo! Você não está errando em alguma coisa?”- típica frase da Nina.
Pausa!
-“Nina, seguinte… seu creme rugas 50 + AGE já acabou. Vá lá comprar na esquina, por gentileza!? Aliás, saiu no Discovery Chanel que a probabilidade de ataques do coração em mulheres com mais de cinquenta anos está aumentanto. Olha, hein? Marcou o cardiologista?”- diria eu a Nina, um dia destes, quando minha faceta mais diabólica entrar em ação.
Falando em Discovery, lembrei de um caso apresentado neste programa, sobre super-seres-humanos, sendo considerados super-seres-humanos somente após a celebração dos 90 anos de vida…vivos, claro. Traçando um paralelo, seria eu uma super-solteira?…pois se 95% do álbum de formatura do colegial já se casou ou amigou, os outros 5% que passaram a “barreira” dos 30 e que ainda são solteiros seriam considerados super-solteiros.
Hum…de chofre, uma sensação interessante: eu, uma super-solteira que chegará aos 90 anos e ganhará dois títulos no Guiness: super-solteira e super-ser-humano.
(risos sarcásticos)
Voltanto…
Planos e planos! É básico a montagem de planos e suas consequências quando somos vitimadas por uma situação desgastante. Sim, o Márcio me pagaria! Quem ele pensa ser para brincar-de-boneca comigo por oito meses, e depois, continuar com esse papinho? Básico, pois traçando um paralelo, leitora, você se lembra que quando a gente, criança, enjoava de brincar com uma boneca, nós a largávamos num canto ou na estante e pegávamos outra para brincar?…E depois enjoávamos daquela e pegávamos novamente a primeira, colocando a segunda, assim, na estante? Sim!….Idéia óbvia!
E ainda, quem ele pensa ser para me deixar em banho-maria? Por acaso tenho cara de barra de chocolate, pudim, ou qualquer coisa que se cozinha em banho-maria?
Momento DEFINA:
Brincadeira é a ação de brincar, de entreter, de distrair.
Sim, sou eu uma distração para esse típico homem do século XXI.
Hum…idéia inexata!
De agora em diante, serei mais eu, e vou provar para ele, o que ele perdeu. Feliz idéia!
Motivada pelo ódio em meu sangue, afinal, ficar na geladeira por oito meses não é brincadeira(detalhe: neste tempo todo, a idiota não se deu nem ao menos a oportunidade de conhecer outros, pois vivia em função do Marc…Macrabo!), resolvi tomar as rédeas da própria situação. Sim, agora aos trinta, teria eu saído fora dos padrões da sociedade. Uma solteirona, assim, assumo! No entanto, eu estava viva e precisava continuar.
Pronto, decidido. Iria repaginar total.
Ergui meu corpo com magnificência, como uma rainha, e me dirigi ao espelho do quarto. Fitei minha imagem, e desejava uma mudança radical. Dia seguinte, segundona braba, seria dia do cabelereiro, do regime, de roupas novas e claro, óbvio, da mudança de atitude. Fiz daquele instante uma promessa para comigo mesma, e resolvi jogar todo o lixo, logicamente, no balde do cesto de lixo. Ainda não entendo como fazemos questão de guardar tanto lixo debaixo da cama ou naquele armário da casa que nunca ninguém abre!
Primeiro de tudo, entrei nas minhas páginas do orkut e facebook. Era pra já deletar as fotos do Márcio, e ainda apagar e bloquear os seus estúpidos emails. Contato MSN Márcio, e seu nick “curtindo a vida, sendo feliz!”, também bloqueado. Era ainda tempo de colocar “solteira” total no status das páginas do perfil. Antes, eu colocava “oculto” pois sentia que estava de namoradinho. A vontade de se colocar “namorando” era tão intensa, que colocar “oculto” para mim já era meio-caminho andado. Afe! Poupe-me meu cerebelo!
Caminhei ainda para a cozinha, e me livrei dos doces, bolachas doces, chocolates, etc…coisas que eu compro e loto a geladeira só porque gosto. Ah, detalhe, os bombons na gaveta do quarto também eram passado, bem como os Boballos, chicletes que adoro mascar diariamente, às vezes uns dez(ainda bem que são chicletes e não cigarros), também estariam fora. Vou comprar Trident, sem açucar, isso sim, pois sou viciada, e caso eu não masque pelo menos uma vez ao dia, sou capaz de morrer. Ah, e chega de roer unhas. Vou deixá-las crescer e passar um vermelhão de arrasar. Eu, assim, emagreceria, uns cinco quilos, estaria bom..melhor, uns seis quilos, e ainda me tornaria mais bela, mais selvagem.
Hum…vermelho! Vermelho nas unhas e luzes no cabelo! Decidi mudar!
Idéia inexata!
E este visual, hein? Como torná-lo outro? Sim, fim às calças preta-de-plantão, pois quem dá plantão para mim é médico, e de médico quero distância(afe, o Macabro é médico), a menos que eu apareça com uma infecção transmissível ao ar e assim, tenha que ser isolada em quarentena. Ou melhor, a menos que eu entregue o corpo do Márcio para algum médico legista passar o atestado de óbito. Chega de plantão e de calça preta, pois com a bunda menor, quero mais é exibir meu corpitcho em vestidos curtos. E chega de tão básico retrato! Quero mais é aparecer, e quando o Márcio me vir na balada, afe, vai desmaiar de emoção, e eu assim, o desprezaria, como um vampiro despreza água-benta, como minha irmã despreza peixe ou como diabo foge da cruz. E aí eu pisaria em sua face e a deixaria lá, ensanguentada, no meio da pista. E assim eu beijaria TODOS os outros homens, provando para ele que era ele o meu boneco, e não eu a sua boneca!
(risos sarcásticos)
Como um general em um plano de guerra, entrei em ação naquele mesmo instante. Peguei meu celular. Ah, tratei antes de apertar o DELETE no número do Márcio. Não queria correr o risco da tentação, tão pouco ficar na expectativa de ver seu número em minha bina. Detalhe, era também a hora de me desnudar frente ao público.
Ei platéia, veja a do momento: “namorei” por doze horas( tempo entre o dizer às garotas e voltar atrás), mas está tudo bem, hein?A macaquice foi feita, o mico nasceu e é meu, mas vou arrumar uma maneira de desmacacar a situação.
Disquei para a Van…