EPISÓDIO 6
No quarto dele
I’ve been really tryin’, baby
Tryin’ to hold back this feelin’ for so long
And if you feel like I feel, baby
Then come on, oh come on
Let’s get it on, oh baby
Let’s get it on
Let’s love, baby
Let’s get it on
Sugar, let’s get it on
We’re all sensitive people
With so much to give
Understand me, sugar
Since we got to being
Let’s live
I love you
There’s nothing wrong with me
Lovin’ you, baby no no
And givin’ yourself to me could never be wrong
Uma reserva especial! Meu amado Márcio havia separado uma garrafa de champagne que estava na geladeira. Eu não disse a vocês, leitores, que a noite do meu aniversário seria decisiva? Pois bem, caso ele não me amasse, ele não perderia seu tempo com esse tipo de surpresa!
E assim, logo que chegamos ao ap do meu, então, namorado-não-declarado, brindamos aos meus trinta aninhos. E assim, em meio ao tal cenário romântico, o peso do “já trinta anos” apagou-se como mágica, como o fim de uma bomba atômica ou como o pagamento do cartão de crédito ao final do mês…não do mínimo, mas do valor total.
(risos sarcásticos)
Era ainda o momento da minha surpresa. Sim, meu namorado merecia um striptease, dica super especial das mais taradas das bonecas, a sexy Vanessa. Entrei no banheiro, caprichei na lingerie vermelha(ele adora me ver com tal cor, até mesmo na roupa de baixo). Ah, by the way, uma vez uma tia minha me deu uma calcinha e sutiã desta cor. Normal, mas estava eu fazendo 16 anos apenas. Nunca me esqueço de seu principal argumento, fato que me trouxe algumas dúvidas a se pensar até hoje:
-“ É a sua cara!”
Caro leitor? Lingerie vermelha? Justo eu que sempre passei uma imagem clean e de boa mocinha!. Será que tenho cara de tarada, a ponto de até minha tia vislumbrar tal perfil?
Hum…
Idéia inexata!
Divagação desnecessária, principalmente naquele momento. Eu só queria ter uma noite com o meu namorado, fosse com qual cor fosse.
Tudo perfeito! Cinta-liga ok! Era a hora do show! E ao som de Marvin Gay, Let´s Get In On, dancei, rebolei e tirei cada peça, com ares de mulher fatal do poste. Poste?…Sim, caro leitor. Lembra-se da fama do poste, ou sei lá cano, e das mulheres dançando no poste, tipo as dançarinas ou prostitutas da noite? Dos bordéis? Fez sucesso há pouco tempo…até academias começaram a dar aulas, e até as mais certinhas das mulheres participaram. Eu não, apesar de levemente intentada a gastar parte do meu salário para aprender a rebolar no poste. Mas, a Vanessa, claro, foi em todas as aulas e disse que já dançou para uns três caras…Claro, inevitável, tipo básico! Toda a mulher teve, tem ou pelo menos vai ter um momento vadia ou prostituta na vida. Não no sentido literal da palavra, mas no contexto que o significado evoca. E lá estava eu, com meu striptease de boate amadora, mas sem o cano…ou poste. Não tinha cano na casa do Márcio, além do mais, morreria de vergonha se exagerasse na perfomance. No exagero, eu me sentiria filmada e com o vídeo exposto em todos as telas do Youtube. Nossa, estou com uma mania de Youtube agora! Porque? Claro, as piadinhas de email no trabalho vêm aos montes, e na falta do chefe, porque não ver um vídeo abestalhado para matar o tempo?
(risos sarcáticos)
By the way, o Márcio me manda várias piadinhas. Quando eu penso ser um email:
-“Linda, te amo!”…..
-“ Linda, te quero!”…
- “Linda, que saudades, vamos sair hoje!”…
Esquece! O nome Marcio pula na caixa, mas quase sempre é alguma corrente idiota, porém necessária quando estamos com aquele ovo atravessado ou com raiva do chefe. Aliás, quem foi o burro que inventou o chefe?
Que tal inventar coisas mais inteligentes?
Idéia inexata…
Afe…
Continuando….
Dancei, dancei, rebolei e seduzi. O Márcio, já semi-nu na cama estava de queixo caído, e repetia com veemência:
-“ Nossa, gata, você é tudo pra mim!”
E no “tudo pra mim”, eu botava tudo para quebrar. Claro, eu era a mulher mais sexy daquele momento!
Let’s get it on, oh baby
Let’s get it on
Let’s love, baby
Let’s get it on
Sugar, let’s get it on
We’re all sensitive people
Lá estavam eles no quarto do Márcio! As fadas, o unicórnio, os duendes! Hum, era tão bom ser a Cinderela! O Márcio estava super empolgado, quase selvagem, me matando de todas as formas possíveis. Meu coração saltava de emoção, e eu sentia que os trinta, sim, eram mais que bem vindos. Uma super mulher, ao lado do super Márcio. Aliás, o Márcio é muito bom nisso! Me lembro do dia em que conversamos sobre tal assunto, nós, as quatro bonecas.
-“ Gente, o Márcio me matou ontem. Meu Deus, que homem! Beija bem, pega bem, transa bem, é médico, educado, lindo…o que mais eu posso querer da vida? Não estou conseguindo nem andar hoje!”- comentei, provocando risos em todas nós.
-“ Você está parecendo a Vanessa falando!”- disse a Cris, claro, em um comentário certo. A mais tarada era a Vanessa, e ela, super sexy, não continha qualquer tipo de timidez ao falar de sexo, de como foi, qual era o tamanho, a posição que rolou, e etc….
-“ É, o Márcio me deixa assim, super ultra tarada!”- completei, me sentindo uma vagabunda com ares de rainha. Era bom eu me sentir uma vagabunda naquela hora, mas uma vagabunda de luxo, de peito, de vontade, que deixava o seu homem enlouquecido entre quatro paredes.
Que orgulho! Eu mato o Márcio de tesão mesmo!
Lá vinha a Vanessa…
-“ Gente, falando nisso, transei com aquele cara da semana passada. Nossa, muito fino, parecia um lápis….!”- dizia, simulando o tamanho com as mãos, rindo, e nós, no embalo, gargalhando- “…sério…na balada o cara beijava super bem, mas na cama, que desastre..quase que peguei as minhas coisas e fui embora!”.
Detalhe: a Flavia e a Vanessa ficam na balada, e se der vontade, transam com o cara na mesma noite. Já eu e a Cris somos bem mais contidas, preferindo ficar somente no beijo, e talvez, mais pra frente, com o envolvimento, deixar rolar o sexo.
- “ E porque você não foi embora e deixou o incompetente lá?”- comentei, rindo.
-“ Coitado…quem poderia? Escuta lindo, você parecia bom, mas você e suas calças me decepcionaram totalmente!”- ironizava, rindo também, a Flavinha.
- “ Gente, entrei em desespero na hora. Não senti nada de nada! Poxa, fiquei muito frustrada!…nada a ver com o Marcos, meu gêmeo gostoso!”
- “É verdade, e comigo já aconteceu isso!”- comentei. Estávamos no Burger King, às 5 da manhã, comendo depois da longa noite de uma de nossas baladas.
- “Sério, morro de curiosidade e medo quando vai rolar. Tem que ter um tamanho legal e tal!”- falou a Vanessa- “…é que nem beijo..beijou bem, ficamos, não beijou, dou um perdido e saio andando na balada…mas na cama não dá, você tem que aguentar até o fim ou simular uma dor de barriga!”
Momento passado! A Vanessa, teatral, já fez isso em outrora. Beijou, transou e se decepcionou. Como ela é tarada e quer ver resultado claro nisso, ao ver o lixo-desempenho de seu amante-do-momento, pôs-se a dizer que estava total e completamente com diarréia. Sim, caro leitor! Ela não poupou! E sem rodeios, disse:
-“ Puxa, gato, sai de cima de mim….”
-“O que foi lindinha?”- disse o rapaz, assustado, puxando os lençóis.
-“ Sem querer te ofender…você é bem legal…estava adorando…mas, sério, me deu uma diarréia agora. Quero ir para o banheiro!”
O rapaz calou-se, assustado. Hum! Meio nojento, não? Cocô com sexo é de doer. Qualquer um perde o tesão. Exceção: se tem gente que transa com cachorro a la Caligola, tem gente também que adora ver o outro defecando no meio da trepação. Afe…tem ser humano ou animal de tudo quanto é tipo no mundo! Felizmente, enquadro-me na classe dos normais..assim imagino!
E lá foi a Vanessa ao banheiro. Detalhe: me ligou naquela hora, e ficamos quarenta minutos batendo papo. Foi o tempo do cara cochilar, e dela sair, de mansinho, sem o cara perceber. Seria muito chato se o cara acordasse e visse ela partindo, pois eles haviam acabado de chegar e estavam dando a primeira. O rapaz havia sido super gentil, pagado a conta como um cavalheiro, mas ela não hesitou. Não rolou legal, estava fora, doa a quem doer. By the way-à propósito, a Van é a mais decidida das bonecas.
(risos sarcásticos)
Idéia inexata!
Continuando….
-“ É, mas é relativo. O meu ex, Fabrício, tinha um meio pequeno, mas que mandava bem. Ele fazia o serviço direitinho!”- comentei. Detalhe: leitor, não sou tão ET assim. Na idade dos vinte e alguma coisa, namorei, sério, por um ano e meio.
-“ Não, que vergonha foi aquilo que ele me apresentou! Não, para mim, tem que ser algo de conteúdo!”- falou, rindo a Vanessa, segurando a torta de maçã.
-‘Ai, galera, mulherada, pára de falar de sexo que estou sem há um tempo. Dois meses sem transar, sete anos de azar!”- argumentou a Cris.
-“Eu já fiquei 7 meses sem transar!- falou a Flavinha- “ Mas, nada que minha agenda não solucionasse!”
Ops….Quem nunca visitou o cemitério do celular no momento em que a ânsia animal entra em ação?
-“Pegou quem?”
-“Um ex meu ainda apaixonado por mim…esse mandava bem…a coisa era toda boa e se encaixava direitinho em mim…afe, só me restou isso, porque esse cara é um porcaria. Só pra usar mesmo!”
Pausa!
-“Coitado! Pára de usar o rapaz, sua maldosa!”- disse, rindo, ironizando.
-“ Vocês pensam que eu o uso. E estes homens que vivem me tratando como uma qualquer, e me usam a toda hora!”.
Claro, bonecas! Essa é a máxima!
-“ Eu acho que não somos usadas, e sim, enganadas!”- falou a Flavinha.
-“ Minha terapeuta disse que eu me deixo usar, porque eu também estou me usando!”- Van.
-“ Gente, não sei como vocês conseguem transar com esse caras, assim ,tão rápido!”- comentei.
-“ Pra que segurar? Segurando ou não, ninguém ainda me pediu em casamento! Já tentei das duas formas!”- falou a Van, ironizando- “E imagina, voltando…imagina fazer um oral nele!”
-“ Eu não sei se sou muito boa nisso, não!”- comentou a Flavinha, rindo.
-“ Eu acho nojento, ainda mais em um lápis!”- disse a Cris, satirizando – “ Está mais para pirulito-inho!”
Todas ríamos.
-“Gente, já eu adoro fazer! O perfeito é aquele que aprendemos assim. Sou expert nisso! Me ensinaram quando eu tinha treze anos, vocês sabem, e faço muito bem. Uma amiga me ensinou chupando um sorvete do Mac!”
Ah, claro, aulas de sexo da Van! Sempre muito hilárias. Iria ela repetir pela enésima vez a aula- sorvete-sexo que tivera na adolescência. À propósito, a Van, a mais tarada, começou cedo, aos 13. Já eu aos 18, a Cris, aos 17 e a Flavinha, aos 16. Só a Van era a mais saída, digamos assim!
E foi desta maneira! A Vanessa e sua performance fecharam a noite da madrugada no Burger King. Hambúrguer com finzinho de álcool + teatro Van eram corriqueiros em nossas agendas de fim de semana.
Deixando o papo-usar-sexo-tamanho das meninas, eu só pensava no Márcio. Sim, ele era nota mil no sexo, e ele era meu…meu namorado.
Naquela noite do meu aniversário, tudo rolou perfeitamente. E o sol já começava a despontar seus primeiros raios por meio das frestas da janela. O apartamento do Márcio era super confortável. Cirurgião, ganhava legal e mantinha uma vida bem interessante! O quarto era espaçoso e aconchegante, fato ainda mais presente naquele momento de amor.
Sim, leitor! O Amor existia sim. Porque não? Tenho trinta? Tenho! Posso sonhar ainda? Posso! Posso namorar alguém sério e casar? Sim! Mas, o cara é de balada, não? É, mas sou uma das lendas. Já levei tantos tombos…estou calejada no assunto homem-safado. Mas, tudo pode mudar, não pode? Quem sabe o positivismo exagerado da minha prima não tenha algum sentido, alguma verdade?
Sim, o Amor existe, leitor. Não tente me convencer do contrário. Daqui a pouco vou conversar com o meu namorado, e aí, ele saberá que estamos namorando. Bingo! Vamos parar total de freqüentar aquela balada. Certo, certo! Eu e as bonecas, assim ditamos: vamos lá para beber e dançar, mas é fato que estamos também à procura. E lá tem mais safado que grão de areia no deserto, ou açúcar num copo de chocolate com chatilly, mas exceções existem, caro leitor. Não me venha com um balde de água fria! Do contrário, posso fechar o diário agora e jogá-lo na descarga. Deixa eu amar, por gentileza!
Sim, como é bom ter um namorado com ele, que me ama e tal. Estávamos abraçadinhos e estava tão gostoso! Sou uma cinderela agora, uma princesa!
-“ Já sei, vou ao banheiro e mandar um torpedo de que estou namorando para as meninas!”- pensei.
Deixei o Márcio junto aos lençóis de nosso amor. Ele dormia como um anjo. Peguei meu celular e caminhei em direção ao banheiro. Lá, me olhei no espelho, sentindo-me viva e feliz. Finalmente, a espera teria valido a pena. O Márcio nunca estivera tão atencioso, gostoso e apaixonado.
Hum…
Idéia clara!….
Digitei:
-“Fla, Cris e Van…sorry, bonecas, lindas, mas vocês perderam a quarta integrante do quarteto-balada. Estou namorando…n-a-m-o-r-a-n-d-o!”
Send!
Pausa!
Tempo!
O amor e suas possibilidades! Vou casar, ter filhos, netos….
-“Hum, vou comprar uma camiseta para o Márcio, amanhã, quando formos ao cinema!”- pensei. Detalhe: não havíamos combinado um cinema no domingo, mas é básico-obrigatório de todo casal o cinema aos domingos.
Refletindo…Quer coisa mais óbvia do que as cadeiras dos cinemas aos domingos? Dá para contar nos dedos os solteiros, ou aqueles que vêm somente com amigos ou qualquer outra companhia. Não sei quem foi o burro-inteligente que inventou isso! Burro porque poderia também faturar com os solteiros aos domingos, pois domingo, ou se vê solteiro enrolado no cobertor, em casa, ou em pagodes e churrascos de conhecidos. Detalhe: domingo é palco do pagode ou do sertanejo nas poucas casas noturnas que abrem. Nem curto! Mas, na ânsia do não-tenho-nada-de-bom-pra-fazer-nessa-droga-de-domingo, já freqüentei pagodes e axés de vários tipos. Ainda sobre o inventor, inteligente foi, pois casal tem que sair de domingo, tem. E parabéns! Os casais escolheram o mundo filme-pop-corn para terminar seu fim de semana. Tão pouco importa o filme, o importante é namorar no cinema.
(risos sarcásticos)
Idéia inexata!
Em tempos de solteira(porque agora namoro, leitor), cheguei a amaldiçoar as cadeiras dos cinemas, porque olhava para a direita, estavam eles lá, os casais. O mesmo acontecia à esquerda…norte, sul, leste e oeste!
-“ Vão pro motel, seus idiotas!”- pensei.
Aliás, só pensei. Imagina só, leitor, se todo o pensado fosse, de fato, falado!? A vida seria um circo ou uma comédia-dramática, e a toda hora, ouviriam-se tiros nas ruas de todas as esquinas. Todo mundo está sempre a criticar todo mundo. Sejamos sinceros? Acho que as pessoas não tem muito o que fazer na vida e em seus dias. Ora ficam no MSN fofocando, ora falando mal de alguém, nem que seja um diálogo interno. A gente só trabalha quando o chefe olha, não é verdade? E se ele não olha, a gente só trabalha para ganhar dinheiro, certo? Dinheiro = beber + comer + carro de luxo para se exibir por aí…estou certa ou errada, à lá novela Porcina?… Está aí a base de tudo. E quando o assunto não é grana, ou eventual ou raramente(falei RARO, você escutou, leitor?) alguma atitude boa para com seu semelhante, o bom mesmo é viver para exibir, fofocar, criticar, julgar, opinar…e demais outros “ar” dessa vida bonequitária. E tem aqueles ainda: “…eu odeio fofoca!”…Poupe-me meu cerebelo, by the way-apesar disso. Você não é gente? Sou! Então, vamos pela lógica matemática:
Gente = língua
Língua = falar
Falar = assunto
Assunto = qual o babado de hoje?
Babado = comentário, opinião
Opinião = eu penso assim e foda-se
Eu penso assim e foda-se = concordo com você, mas não agora
Concordo com você, mas não agora = discussão
Discussão = quem pensa como eu junte-se a mim
Junte-se a mim= vamos falar mal do outro
Vamos falar mal do outro = fofoca
Fofoca = crítica
Crítica =sentimento
Sentimento = ser humano
Portanto, gente + crítica = ser humano = fofoca
Idéia inexata!
Mas, é óbvio que o meu pensamento sobre o cinema ficou retido em meus neurônios. Eu mesma xingaria e receberia a resposta da platéia, mas somente lá no meu jardim interior.
Continuando…falando em cinema, ah sim, eu e o Márcio somos namorados agora. Ele vai falar comigo já sobre isso. Deixa só o meu lindinho acordar! E como namorados, vamos ao cinema, amanhã.
-“ Hum, enquanto ele não acorda, posso pegar o jornal e ver o que está passando nas telonas!”- pensei, à procura de um jornal.
Detalhe: a emoção era tamanha a ponto de eu deletar o verbo dormir daquela noite. A excitação da balada do meu aniversário, somada às caipiroskas de morango, e principalmente, a atenção do Márcio irromperam como um guaraná em pó em minhas veias.
-“ Dormir? Para que?…eu quero mais é VIVER!”