EPISÓDIO 4

During…

 

Bombando! Pista lotada, coração acelerado, paixão no ar! Estávamos definitivamente todos lá. As bonecas ainda lindas, embora a maquiagem de todas já desse sinal de desgaste, e os cabelos não tão alinhados como na entrada. Os beijos corriam feito o filme “O Feitiço do Tempo” com a repetitiva história da marmota, ou como a seção global novelística “vale a pena ver de novo”, se é que o leitor me entende. Claro, tipo básico e clássico, as bonecas foram retiradas da plateleira.  Eu, com o Márcio. A Flavinha com o ficante da semana passada, um tal de Lucas, a Cris com o Pedro e a Vanessa com um dos irmãos italianos, o Marcos de sempre. O banheiro feminino fazia fila, e eu, na quinta dose de vodka, corri para lá ao lado da Vanessa. Quando bebemos a torneira abre, e a vontade de se ir ao banheiro a toda hora triplica a sua intensidade. Um brinde às privadas! Feliz foi seu criador!…Idéia inexata!…

Dei um beijo no Marcio e fui…

-“ Lindo, vou ao banheiro com as meninas e já volto!”- disse, com o copo na mão, aos ouvidos dele, passando as mãos em seus cabelos.

-“ Beleza, eu também vou!”

Cada um foi para um lado. Só que acompanhei os passos do Márcio, que curiosamente, não tinha ido em direção ao banheiro masculino. Imaginei estar bêbada e não perceber a certeza de seu trajeto. É claro que justo hoje, ele não me daria um perdido como um diabo que foge da cruz. Não, ele estava um gentleman naquela noite. Até mesmo um presente ganhei: um lindo colar com brincos. Claro! Usei na hora para mostrar o quão ele era importante para mim. Ele estava amoroso, simpático, apaixonado, e eu podia sentir isso.

- “Van, ele está muitooo lindo hoje! Que presente de 30 anos lindo ganhei!”- disse, absolutamente encantada.

- “Aí, amiga, você o ama loucamente né!?…Mas, você está super ultra romântica hoje, estou meio estranhando!”

As meninas, que sabem da minha fase “realismo déspota” estavam estranhando.

-“ Ai, sabe, preciso ter um pensamento positivo nesta vida!? E por que não tentar começar a pensar assim hoje!?”- disse, lembrando da minha prima, exagerada no positivismo. Sabe aquele tipo de gente que enfatiza que devemos ser super positivas, mas que dá uma exagerada na necessidade de se ver a toda a hora o brilho do sol? Sim, ela é assim. Canso de discutir com ela e enfatizo: “…se todo mundo tivesse pensamento positivo, Ana, todos já seriam ricos!”. Hum, Idéia inexata! Mas, depois que vi o Marcio me dando um colar com brincos, minha obrigação dos 30 era pensar positivo, total positivo, se é que o leitor me entende.

Falando sério, às vezes precisamos colocar uma pitadinha do Fantástico em nossas vidas, nem que seja por algumas horas. Qual o problema? Apesar das lições já recebidas e estar calejada, era bom naquela noite ver um unicórnio ou duende. Apostemos  na intuição feminina!

Tempo!

-“Eu vou matar essa horrorosa vadia, Gha!”- disse, quase aos berros, a Flavinha, entrando de chofre no banheiro.

-“O que aconteceu?”- perguntei, retocando o batom, mas super tranqüila e acostumada com o fervor da Flavinha, a mais temperamental da turma.

- “ Gha e Van, eu não estava com o Lucas? O carinha da semana passada, então…fui pegar uma cerveja no bar e quando volto, a vadia estava conversando com ele…aquela tal de Karina, uma baixinha que vem sempre aqui!”

-“Nossa, essa garota se acha! Você já reparou que ela vem sempre com a mesma bota?”- dizia a Van, rindo, prendendo o cabelo, pois já fazia calor.

-“Nossa, uma vadia…espera eu sair, só vou fazer xixi…um segundo…!”- disse, trancando a porta do banheiro, mas continuava a falar- “…gente, essa garota tem inveja da gente…uma vez ela nos expulsou do camarote e eu não entendi….nunca fizemos nada para ela...!”

-“ Verdade, amiga, mas fica calma, não se estressa!”- eu disse, retocando o batom, e já ligeiramente preocupada com o Márcio na pista.

-“ Estou falando pra vocês, meninas. Eu não sei o que essa baixinha pensa. Deve ser muita inveja, só pode ser…!”- enfatizou a nutricionista, ainda acelerada.

-“ Pior que a gente nunca trocou uma palavra com ela, sequer…só levamos aquele empurrão do camarote….e vi que ela me olhou de cima pra baixo, me analisando…!”- completou a Van, acertando o decote dos seios.

Tempo!

- “Meninas, vocês estão nervosas hoje, hein!”- comentou a tia do banheiro.

-“ Justo no meu aniversário, né, tia? Mas, a senhora está acostumada não!?”- eu falava, rindo da situação.

- “ Tia, poxa vida, a gente vem pra balada, gasta de dinheiro, e tem gente que nos olha torto e ainda quer roubar o homem da gente!”- dizia em tom alto, a Flavinha, saindo do cubículo do banheiro, ajeitando a saia.

Reflexão em meio ao batom ainda nas mãos: “homem da gente?” Argumentei no divã das doidas no banheiro. Detínhamos nós a posse certa do produto lá fora? Idéia inexata!

- “ Se bem que aqui…vai saber se ele não deu em cima dela também…esses caras, nem dá pra confiar!”

- “ Não, Gha, o Lucas é uma gracinha…e ele está a fim de mim…sou bem mais bonita que essa garota, pára né…só se ele for cegoessa mulherada cai matando mesmo!”

Eu e a Vanessa trocamos olhares, com um leve despontar de sorriso. Olhávamos para o espelho, ainda nos observando.

-“ Calma, querida, você só o conheceu na semana passada!”- enfatizei junto a minha prosa, com ares de realismo, justo eu, que naquele dia me enfeitava como uma cinderela ou como a menina do Mágico de Oz. Como era mesmo o nome dela?…Isso, Dorothy.

- “ É, isso é verdade!”- completou a Van.

- “ Mesmo assim, eu acho o Lucas um cara diferente. De repente, ora. Ele me liga todos os dias desde a semana passada, já saímos fora daqui…não rolou ainda tudo, estou me segurando…não quero queimar meu filme logo de cara….se bem que ando numa vontadeee!…ai!”

As três riram.

-“ Pára Fla, não faz nem dez dias a tua última vez….!”- a Cris falava, entrando  banheiro- “ E você tá pegando demais….”

Risadas!

- “É, transar eu transei, mas isso nem contaA feia da baixinha deve estar na seca há mesesOlha eu juro pra vocês que eu pego essa garota ainda…ela que não venha pisar no meu pé ou cheirar no meu cangote!”- nesta, a Flávia se sentou na cadeira do banheiro, descansando a sola do sapato.

-“ Só se ela for lésbica!”- completou a tia do banheiro, provocando mais risadas em todas nós.

Risadas, festas e o cérebro já zonzo em razão da intensidade alcoólica no sangue. Lesbianismo? Nunca! A balada faz estilo hetero total(assim suponho…), exceto pela trivialidade de um capítulo especial. Não menciono sobre os selinhos em mulheres na noite das tequilas- desavergonhadas. Refiro-me ao dia em que mulher não pagava, uma sexta incomum promovida pela balada devido ao fraco movimento das noites antecessoras. Era ainda show do cover New Order….Caro leitor da minha idade, é básico New Order no remember festa de 15 anos, certo? E na noitada flash back, não poderia faltar tal personagem. Ocorre que em tal noite, mulher era free total, e sendo assim, era esperado um grande público masculino. Assim, a casa-balada-de-sempre lotaria, enchendo os bolsos dos ricos empresários e os ânimos de todos os freqüentadores. Óbvio! Idéia inexata! Balada vazia é lixo, como um rato preso na ratoeira. Produzir-se totalmente a fim de se adentrar num copo vazio é mera utopia inimaginável. Prateleira vazia!? Estamos totalmente fora, out! E não há bebida ou álcool que sustente o vazio da pista, pois, por acaso, pista de balada serve para se virar estrela ou dar polichinelos? Nunca! O ideal é dançar soltinho, ora presinho, ora com no máximo um passinho de reserva ao seu lado.

Continuando…(melhor refletir agora, pois a Vanessa e a Flavia ainda continuavam a retratar os dotes físicos da baixinha de plantão, como a chamamos….como se uma miss eu fosse….mas, melhor que aquilo, sou!!!…voltando…)

(risos sarcásticos)

Na balada mulher- free, chegamos, mas a produção do espetáculo não havia nos contado um peculiar e interessante dado, caso contrário, teria mudado completamente a nossa primeira impressão daquela inicial trágica noite. Era sexta-feira, e chegamos animadas e por isso, cedo. Às 23 horas, estávamos na porta, claro, cortando a fila, afinal, sempre fomos as estrelas ou ainda, as “estrelas”.(risos sarcásticos). Entramos, e a hostess nos informou que até a meia-noite, a bebida era de graça para as mulheres. Bingo! Beber já e economizar sempre foi tudo o que precisamos. Subimos no camarote e nem olhamos para a pista. Estávamos na ânsia do “é de graça”. Aliás, todo mundo assim é. Parece que o “é de graça” incita alguma faceta selvagem do ser humano, a ponto dele se esquecer de tudo e ir correndo, como um gambá corre do banho, no intuito de garantir a sua presa-free. E foi assim com a gente! Subimos no ímpeto, e pegamos as duas básicas vodkas com Red Bull…e muito gelo, é claro. Bebemos uns dois goles e sentamos no sofá clássico da balada.( Às vezes, no começo, antes da bomba explodir, sentamos no sofá, fofocamos e olhamos nos arredores).

Passaram-se uns quinze minutos desde que havíamos chegado e só descansamos o anseio, quando enfim estávamos sentadas e com as bebidas na mão. Até o banheiro típico da entrada deixamos para o pós-pegar-bebida-free. Como se o estoque da balada fosse magicamente se apagar! (risos sarcásticos).

Sentadas, observamos ao redor.

-“ Nossa, quantas mulheres!”- assim pensei e depois exclamei:

-“ Cris, olha quanta mulher nessa balada, nossa!”

- “É, estou reparando mesmo. Mas tem muita…mas os homens devem chegar logo…!”

Pausa! Mais mulher adentrando-se pelo camarote.

-“ Nossa, Cris, mas hoje está exagerado!”- comecei eu a me descontentar, a sentir um incômodo. Eu pedia pelo cheiro de uma testosterona, e por enquanto, só provinha dos garçons.

- “ Verdade…(pausa)…meu  Deus, hoje, está lotadaço de mulher…nunca vi tanta mulher em minha vida!”

Pausa!

Silêncio! Reflexão!

Milhares de seios e vaginas circulando diante dos nossos olhos! Era como um cinema na exibição do filme “O Portal das Mulheres”. Nossa, mas creio que inexiste tal filme. De onde eu tirei tal nome?

Idéia inexata.

-“ Gha, está muito estranho isso aqui hoje, fala sério!”

- “Também estou achando muito estranho…sério, vamos levantar, circular e ver onde estão os homens!”

Levantamos e demos uma volta apenas nos arredores do camarote. E, incrivelmente, só mulheres e só.

-“ Sério, vamos perguntar o que aconteceu?…sei lá, para alguém…estou me sentindo uma lésbica!”- comentei, rindo nervosamente com a Cris.

Perambulamos e encontramos um dos seguranças da balada. Mas, até encontrarmos, nos deparamos com centenas de mulheres. A balada tem capacidade para 600 pessoas, assim imagino, mas minha visão fitou um campo de futebol inteiro preenchido por mulheres, praticamente um Maracanã, e de tudo quanto é o tipo: loiras, morenas, negras, ruivas, brancas, pardas, altas, magras, baixas…bonitas, feias…etc…Certamente, me passou pela cabeça como seria viver no mundo ao estilo “The L World” e senti uma repulsa total. Nada de preconceito, pois sempre fui muito aberta. Mas, indaguei: “…como posso conseguir sentir tesão por um seio e uma  vagina?”….refleti….

-“ A balada parece ser de lésbica!”

-“ Calma, meninas, é que só estamos deixando entrar na parte de cima as mulheres, pois a bebida é de graça apenas para as mulheres. Depois da meia-noite, vamos liberar pros homens subirem!”- comentou, rindo, o segurança.

Que alívio! E que pensamento ridículo! É claro que não se muda o perfil de uma balada assim, da noite para o dia. E observamos o andar de baixo, lá de cima. Os homens estavam lá, e estranha ou obviamente, olhavam apreensivos para a parte de cima do camarote.  Pareciam cães em busca de suas cadelas…Imagina se não fosse liberado a mistura dos dois povos?Homens e mulheres separados em baladas!?(risos sarcásticos).Até que seria um projeto interessante só para se ver a bicharada presa em uma jaula, desesperada pela “troca de fluídos“. Ou nem, óbvio, ninguém freqüentaria uma balada com separação de sexos: homens de um lado e mulheres do outro, quem tem pênis à direita, quem tem vagina à esquerda. Às vezes curto imaginar o impossível…é excitante, divertido, sarcástico…mundos paralelos!

O momento quase-lésbico se apagou. A lição que ficou, inexiste! Somente a dica: a bebida de graça nos cegou e nem vimos a situação com clareza.

Continuando…a conversa entre a Vanessa, Flávia, Cris e tia, agora falando de um homem maravilhoso que viram no meio da pista, fluía.

-“ Pena que estamos acompanhadas…do contrário, eu chegava!”- falava a Vanessa, orgulhosa de seus seios, apertando-os mais ainda ao fitar o espelho.

-“ É, estou com o Márcio e com ele não quero mais nada que não seja ele!”

- “Você pode se dar mal, hein, amiga…olha o que esses caras já fizeram com a gente. O Marcos vive aprontando comigo!”- completou a Vanessa.

A tia limpava a pia, já em poças de água, pois uma das torneiras entupiu o pequeno ralinho.

- “Não, a minha história é totalmente diferente! Estamos juntos há oito meses!”

- “ Sei…!”- dizia a Vanessa, com receio, mas senti que da parte dela a descrença era geral, apesar de eu estar vendo um unicórnio, uma fada, um duende na pista, pelo menos naquela noite.

Será cegueira de aniversariante?

Idéia inexata!

- “Gente, ele está confuso! Não é fácil ser médico. Ele deve ter uma vida dura, coitado. Ele precisava de um tempo. Mas, hoje, ele está super romântico comigo. Me deu um presente, está o tempo todo do meu lado…aliás, vamos sair daqui pois ele está me esperando!”- falei, com ares de pressa, afinal, estávamos em um momento gossip-banheiro há 10 minutos.

Saí na frente, e as duas, atrás de mim. Não estava a fim de perder o calor do momento-unicórnio. De modo algum! Era bom sentir que estava dando tudo certo, muito bom.

Fomos direto para o camarote, com direito a umas puxadas de mão e tal. A Flávia era a mais enérgica, detestando quem a tocasse sem ser chamado. Segurava o fôlego, mas já soltou uns “…caí fora, dá licença…” em alguns momentos peculiares. Já a Vanessa curtia o assédio masculino, sentindo-se mais confiante no andar-desfilar da passarela-balada.

Enfim, chegamos!

Bingo torto! Onde estaria o Márcio?

Aflita com ares fakes de “sou segura”, perguntei aos meus convidados aonde estaria o meu amado. Ele havia me prometido que voltaria para cá, e pelo que bem sei, banheiro-masculino dura uma fração de segundos. De chofre, desdenhei! Me desiludi! Está vendo como sou inocente e burra? Óbvio que o rapazote malandro me deu um perdido. Olhei para a pista lotada no intuito de achar a ponta da cabeça dele, e nada.

-“ Lá está, com uma loira…nossa, que safado!”- disse para a Cris.

A Cris apertou os olhos e exclamou:

-“ Você vem sem óculos na balada e está confundindo. Não é o Márcio!”

-“ Hum… que bom!”- respondi, meio crente, ora descrente, deveras irônica. Sou míope, e uso óculos só em casa. Lentes? Às vezes, pois estes pequenos plásticos irritam meus olhos.

-“ Ele não ia ao banheiro?”

-“ Sim, Cris, mas desse banheiro, já passou 20 minutos. Só se o cara foi fazer cocô!”- falei, com raiva na ponta do estômago. Cheguei até a imaginá-lo sentado na privada da balada, com diarréia. Achei meio nojento, e engraçado. Mas, sensivelmente apático. Queria matá-lo naquela hora.

O bolo chegou! Passando por entre as pessoas da balada, o doce de chocolate com uma vela daquelas que explode, já irradiava a sua iluminação no topo da iguaria.

-“ Isso aí, o bolo!”- gritou um primo meu, super extrovertido.

Então, iria cantar “Parabéns!”. Alías, já começavam a cantar. E eu, com a cara de mescla preocupação com felicidade, assim como o Rio Amazonas, comecei a cantar também- o clássico de todo o aniversariante. Caro leitor, você já reparou como todo o aniversariante se comporta quando sua valsa está sendo tocada? Percebe-se: mal sabemos o que fazer. Cantamos? Dançamos? Idéia inexata! Só sei que diante de todo o povo olhando na sua cara, rindo e olhando, novamente, muito para a sua cara, nem sabemos aonde colocar as mãos, e no disfarce do pensamento “…estou meio sem-graça…“, batemos palmas também, cantando para nós mesmos. Sim, arrumamos uma coisa para fazer enquanto cantam o “Parabéns a Você, nesta data querida. Muitas felicidades, muitos anos de vida!” para nós. (risos sarcásticos). É raro aquele aniversariante que fica parado, total só observando os outros cantarem a musiquinha para ele. Nunca vi! A sensação “…o que faço agora?…” é certa nos pensamentos dos tímidos aos mais extrovertidos.

E nesta, bati palmas, e assim, não me senti tão observada no momento em que todos olhavam para mim. E sorri para todos. Na real, as pessoas que eu amava estavam lá. Minhas melhores amigas e meus primos. Perfeito! Pensei:

-“ Dane-se o Márcio. Todos que eu amo estão aqui do meu lado!”- refleti, dando valor para aqueles que realmente detinham sentimento por mim. Era bom sentir aquilo. O Márcio já havia aprontado várias vezes comigo, e novamente, eu não cairia no conto do vigário.

Palmas! Velas! Gritos de sucesso!

-” É isso, aí, priminha!”- gritou, novamente, meu primo super extrovertido, de 43 anos.

E em meio ao assoprar do bolo, fui abraçada por trás e em seguida, beijada. Era o Márcio, trazendo-me um buquê de rosas.

-“ Fui pegar seu outro presente, minha linda!”

Encantei total! Por isso, ele demorou! Lindinho da minha vida, sei que hoje você me trataria como uma princesa, sua namorada!

-“ Sim, hoje, vamos oficializar o nosso namoro!”- refleti, olhando para os olhos dele, como se minha íris estivesse dizendo: “…ei, vamos falar de namoro?”

Óbvio que não falei! Não queria pressioná-lo…ops…mas, após oito meses, não era um dever meu pressioná-lo, como uma obrigação de passar no vestibular na terceira tentativa, ou na prova do voltante após o segundo teste de baliza? Hum, não sei como agir mais. Os homens de hoje são tão diferentes…. Os de ontem também…(risos sarcásticos).

Mas, beijo! Hoje, ele falará algo. Deixa estar! Vou curtir o bolinho de chocolate ao lado do meu namorado…ops…”namorado”?…namorado?…sim… NAMORADO!…

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