EPISÓDIO 5
during part 3
“When you need a friend
Don’t look to a stranger
You know in the end
I’ll always be there
And when you’re in doubt
And when you’re in danger
Take a look all around
I’ll be there
I’m sorry im just thinking of the right words to say
I know they dont sound the way i planed them to be
But if you wait around awhile I’ll make you fall for me
I promise you, I promise you I will”
Ao som da música “The Promise”, sucesso anos 90 da banda “When In Rome”, dançávamos na minha festa de aniversário. A lembrança irrompe de forma vaga, em razão do impulso maior do deus Dionísio em meu corpo. Entretanto, a certeza estava lá. Estava eu muito feliz! Dançava, beijava meu amado, nos abraçávamos…eu jogava os cabelos de um lado para o outro, mas não de modo “metal” de metaleiro, afinal, não era palco para aquilo. Mas, de forma branda e poética. O furor do álcool me soltava, a paixão me dominava e a música penetrava em minhas entranhas, como cordas de um violão em uma canção de infinitos refrãos. Sentia-me uma completa orquestra.
E neste enlevo, sentia-me total ritmo, total dança, total balada naquela especial noite…
Era tempo do ritmo, das danças, das esferas na pista e do brilho do cenário.
Era o momento da entrega ao maior contentamento: a arte de estar, de dançar, de sorrir, de viver, de amar.
Furor Balada Nights-
….mas, de forma branda e poética! O furor do álcool me soltava, a paixão me dominava e a música penetrava em minhas entranhas, como cordas de um violão em uma canção de infinitos refrãos. Sentia-me uma completa orquestra. E neste enlevo, sentia-me total balada naquela especial noite. Era tempo do ritmo, das danças, das esferas na pista e do brilho do cenário. Era o momento da entrega ao maior contentamento: a arte de estar, de dançar, de sorrir, de viver, de amar, de beijar. Não havia tempo de mais nada. Passado ou futuro inexistiam! Apenas uma vontade de soltar o próprio corpo junto ao ritmo alucinante…..
Girl, close your eyes…
Let that rhythm get into you
Don’t try to fight it
There ain’t nothing that you can do
Relax your mind
Lay back and groove with mine
You gotta feel that heat
And we can ride the boogie
Share that beat of love
I wanna rock with you (all night)
Dance you into day (sunlight)
I wanna rock with you (all night)
I’m gonna rock the night away
-“And we can ride the boogie, share the beat of love….lay back and groove, groove…!”- cantava, dançando muito, ao som dos anos 80 de Michael Jackson.
Dicionário nas mãos! Som nos ouvidos! Vida! Festa e aventuras! E neste compasso, criei meu diário de histórias: “Boneca solteira procura…”
-“Sim, vou escrever um diário, relatando todas as nossas histórias!”- pensei, enquanto fitava com desejo o meu Márcio.
Sensação!
Desejo!
A melhor das festas!
O tempo corria!
Rumo ao fim…
ÀS 4 da madrugada marcou sua grande jogada nos ponteiros dos dançarinos, bêbados, entusiastas e beijoqueiros. Quem curtia uma dança, apenas dançava ao som das melhores dos anos 80 e 90. Quem curtia um papo, o fazia em meio ao som alto vindo da caixa de som. Quem já tinha curtido qualquer coisa, já se adentrava na fila. E quem curtia beijo, beijava, e com gosto. Não importava quem era ou se repetido o kiss fosse. O que valia, naquele instante, era o encontro dos desejos, seja lá qual origem. Com o cérebro a mil por conta da visita de Dionísio, qualquer boca era bem vinda. E é sempre assim depois das 4 horas da madrugada. É clássico, nesta hora, vislumbrar os ares dos caçadores e caçadoras, enlouquecidos por uma presa, na tentativa de não perder a noite alucinada. É básico! Na chegada, pouco beijo se vê. Muitos olhares são trocados, pois alguns pensam que o mercadão ainda vai encher e coisa melhor sempre pode aparecer. Entretanto, os ponteiros não se seguram e correm com tranquilidade e comodismo, nem aí para ninguém ou para o anseio de outrem. As horas passam, a bebida sobe, e qualquer um se torna beijável.(risos sarcásticos). O célebre- verdadeiro-com-provas ditado “se não tem tu vai tu mesmo” vira lei na ditadura da balada após às 4. E nesta noite, na minha noite, o mundo animal repetia-se, como sempre. Era visível a pegação exposta aos olhos dos curiosos, e para a nossa turma, certamente, também.
Ainda me lembro do comentário do Jean, o gêmeo, no final da balada:
-” Nossa, só sobrou mulher feia Gha…quero pegar alguém! Tem um feinha me olhando há um tempão…sobrou ela…acho que vou chegar!”- disse, indo direto ao encontro da moça, que dançava entre poucos no meio da pista.
Incrível! O Jean chegou com uma cara-interpretação como se estivesse super atraído pela garota. E ela, caiu feito um patinho. Começou a rebolar mais ainda.
Dica, leitora: quando um cara chega em você na balada somente após às 4hs da madrugada, esquece! Ele teve o tempo todo do mundo para fazer a cena, e se até tal horário não fez, é só depois das 4 fez, é porque você é o quebra-galho, galho que dia seguinte ele nem lembrará, pois é certo que o moço estava torto de bêbado e só a fim de uma boca e uma bunda para amassar.
Idéia óbvia!
Já eu, claro, estava total garantida. O Márcio demorou para chegar, mas estava lá comigo, ao meu lado. Sua safadeza semanal havia repentinamente se destruído, indo de encontro à satisfação dos meus desejos. Do outro lado da pista, vi meu primo super extrovertido. Estava ele com a sua segunda presa da noite. Sorri para ele e concluí:
-“ Claro!”
Uma reflexão sobre a extroversão em um ser! Tal pensamento merece um minuto em sua sabedoria. Bem inteligente foi aquele que inventou a exibicionismo natural, despretensioso, pois aquele que o detém, é capaz de se tornar o protagonista em qualquer teatro de rua. A pessoa interpreta a si mesmo, por natureza, e isso é incrível. E era assim o meu primo! O único primo de quarenta e poucos solteiro da família, assim o era, e que de fato, mandava uma banana para quem o quisesse criticar. Casado? Sim, já havia sido. Mas, não do tipo casado-papel. Mas daquele que junta os trapos com uma outra. Namorou outras e outras, e ainda, outras. Estava feliz e pouco se importava com a idade. E o melhor era beber, e muito! E nesta noite, o mais hilário capítulo acometeu meu cérebro de tanto rir. Para não gastar na balada, afinal, balada é cara, meu primo havia se tornado um mestre na arte dionisíaca. Escapando das mãos dos seguranças que revistam na entrada da casa, meu inigualável parente inventou o inimaginável: embrulhou um presente para minha pessoa, mas dentro do pacote, total lacrado, além do meu presente, uma pequena garrafa de uisque escondia-se. É é claro, bolsa se revista, bolsos também, mas nunca pode-se obrigar a abrir um presente de aniversário. Afinal, como vamos colar o durex novamente ou fazer os laços? Não, em absoluto, seria total violação da maior provacidade.
(risos sarcásticos)
Idéia inexata!
Hilário!
Brilhante!
-” Presente, priminha. Uebaaa! Só que este é pra você,e este é pra mim!”- dizia, tomando o uísque em suas mãos.
Assim, bebia ele a noite toda, e a conta, bem menor. Coisa deveras de gênio! Louco por bebiba, festa e bolso contido! Só mesmo da mente do meu primo, um ator natural, que provina tal idéia mais-que-fantástica. Adorei! Mas, é claro que eu jamais usaria dos mesmos artifícios. Na hora da entrada, eu ficaria tão vermelha que acho que o próprio pacote de presente ganharia vida em minhas mãos, e assim, denunciaria a si mesmo:
-“ Ei, ei, olhem para mim! Aqui tem uma garrafa inteira de uísque. SOS? SOS?..peguem essa ladra e mentirosa de balada, que está dando um jeito de se embebedar na balada, sem nada aqui consumir!”- falaria o pacote, autoritário, só para me desmoralizar e entregar frente ao público.
(risos sarcásticos)
Continuando…
Além do meu primo, as meninas ainda estavam lá, cada uma com seu caso repetitivo. Avistei ainda minha amiga Pamela, 33 anos, sozinha no bar. Bebia ela uma cerveja, e olhava para o meio da pista, detendo certo olhar perdido. Às vezes dançava, às vezes parava. Fui ter com ela.
-“ Meu anjo, só um minuto que vou falar com a Pamela ali!”- falei com o meu gato Márcio, um tanto apreensiva, pois eu o largaria alguns minutos e ele poderia fazer algo. Ops…insegurança ridícula! Se fosse para ele me dar um perdido já teria dado. É tolo como somos meio bobas ao lado dos homens. Não queremos desgrudar, como se a nossa presença fosse sinônimo de posse total. Meu caro, leitor, se assim fosse, não havaria tantas traições por aí, pois bem sabemos que compromisso oficializado não é sinônimo de monogamia. O povo transa mesmo! E transa com todo mundo! Quem namora, traí e quem é casado ou casada, também é frequentador da loja de chifres. Óbvio que preciso de um positivismo, ainda mais na onda daquela noite, da minha noite. Que seja! Hum…90% chifra, salvo os 10%, e está pra nascer quem me prove o contrário.
Continuando…Deixei o Márcio com um amigo em comum, o Kleber, de 36. Deixe que os dois conversem à vontade! Sentia que minha amiga precisava de mim, afinal, todo mundo pegou, menos ela. A Pamela é da turma, faz parte das garotas que conhecemos lá mesmo, na mesma balada, de tanto irmos para lá.
Passei por ela, e dei um tapa em sua bunda.
-“ E aí, maluca!? Curtiu meu super aniversário!”
-“ Oi Ghaaaa…..”- estava ela meio lenta na voz, básico, estava chapada- “Menina, tudo de bom esse lance aqui hoje. Achei legal. Mas, mas de homem, hum, estava meio fraco!”
-“ É, cara bonito mesmo só tinha o Márcio…!”- comentei, com um sorriso travesso nos lábios, me arrependendo na mesma hora.
-“ Pô, Aghata, sua amiga está sozinha até agora e vem você se achar com esse Márcio! Se manca, o pedra!”- falou meu Ego, satirizando o meu “pô” de outrora.
Consertei:
-“ Ah, Pam, mas o Marcio não presta, você bem sabe!”
-“ Ah, linda, o lance de vocês tá ficando sério hein!?”
Hum…adorei na hora saber que o povo havia começado a reparar nisso.
-“ Você acha mesmo, Pam?”
-“ Hum, o cara tá na tua. Te deu presente, tá aqui do teu lado….guenta que ele tá na tua!”
-“ É mesmo!”- respondi, sorrindo total em meu interior, deveras ligeiramente idiota.
Às vezes me critico em demasia. Lá levei tantos tombos que só mesmo o meu Ego para me bronquear a qualquer sinal de bobação. Mas, meu Ego, foda-se. Hoje, estou total feliz. Vou beijar e ainda vou embora com o meu lindo! Ora bolas! Vá cuidar de outra aí na esquina!
Idéia inexata!
Continuando….
-“ Mas, Gha, nossa, muito cara safado hoje. Você nem acredita!? Beijei um cara que ao final era…..”
Pausa: cenas completas e complexas abaixo do caso Pam com o cara que era…
Meu níver, digamos assim. A Pamela foi, claro! Estava tranquila, mas dançava muito. No entanto, seu jeito de agir era o mais hilário. Dizia ela que iria para a balada no intuito de pegar, ou seja, “pegar”, e mais nada, tão pouco importando o som que tocava. Segundo ela, 99% era “catar”, “caçar”, etc…e 1% o restante. E neste contexto, a Pam chegava logo no começo e começava a atirar para tudo quanto é lado, até encontrar o seu foco. Ou seja, estávamos junto dela nas baladas nos primeiros 30 minutos da festa, e depois…”cadê a Pamela!”?…sumiu!?…Óbvio. Idéia inexata!
Nesta noite em especial, ela veio me parabenizar. Os abraços e presente duraram cerca de cinco minutos. Em seguida, ela disse que iria ao banheiro, ou ainda, melhor traduzindo: “Banheiro da Pam= começar a caçada!”. Ela mente com tais desculpas, pois sabe ela que todas nós repudiamos esse modo de agir, apesar de gostarmos dela. Não por seu significado superficial do “catar por catar”, mas por nos deixar na balada, logo no começo. Quem fosse sozinha com ela, corria o grande-quase-certo risco de :
1) ficar sozinha a noite toda;
2) ser obrigada a pegar alguém para não ficar sozinha;
3) ir embora, em casos de noites de gente-feia, música zuada ou sono.
E neste capítulo em que eu era a maior protagonista, a Pamela me relatou um curioso clássico caso de balada…Nos primeiros momentos de seu “banheiro”, a Pam já tinha escolhido o seu alvo.
-“ Nossa, que cara gato no meio da pista…olha!?…de barbicha pra fazer!!!…hum…parece do Haji da novela….muito lindo!”- falava ela, encarando o certo rapaz que se posicionava no meio da pista, ao lado de outros cinco amigos.
Detalhe: realmente, era o único bonito, e sinceramente, parecia-se com o molde-atual-global de galã. By the way- apesar de, um super gato, claro!
Ficou ela a observar o cara, e a Pam não tem a mínina timidez em se demonstrar possível, totalmente possível, para quem ela assim quer pegar. Olhava para o rapaz com olhos de leoa, ávida por sua presa, ou ainda, por seu brinquedo-boneco do momento. Das prateleiras que estavam lá, ele era um dos melhores. E ficou nesta por alguns instantes, como uma mulher na sala de parto, prestes a parir, ou como um vampiro salivando pelo pescoço sanguinolento mais próximo. Hum…interessante esse tipo de mulher. Quase sempre são eles que chegam nelas, mas das poucas elas que chegam neles, cenas emblemáticas irrompem no cenário. O bom, caro leitor, é a auto-estima. Imagina você se todos assim fossem!? Seria o mundo mais selvagem? Corajoso?…não sei ao certo…creio que a timidez protege dos tombos que podem vir a acontecer, mas é fato que só mesmo os mais atirados que dão o gol da vez.
Pam era uma mulher interessante…sem medo de ser feliz. Ex casada, ela vivia no atual para dar, curtir e receber. Entratando, óbvio, estava afim de se prender de alguma forma a alguém. Mas, quem? Enquanto não rolava uma segunda tentativa do destino em casá-la, Pam beijava e transava com os caras em 90% das vezes.
(risos sarcásticos)
Continuando….
Caro leitor, saiba…minha cara amiga Pamela foi de encontro ao seu gato da vez, e lá no meio da pista, simulou uma queda. Isso mesmo, além de seduzir como bem queria, ela teatralizava a ação. Fingiu ter tropeçado, e realmente, caiu no chão, no meio da balada. Só que, obviamente, aos pés do dito cujo.
-“ Nossa, me desculpe! Não foi a minha intenção cair em você!”- argumentou ela, fitando os olhos do rapaz, simulando ainda uma voz doce, ingênua e inocente.
-“ Linda, o que é isso? Tudo bem!”- o carinha a ajudava a se levantar.
-“ Sério, me desculpe. Estou com um salto muito alto...!”- e nesta de explicar, ela segurou em seus braços, cuidando de subir delicadamente, esfregando “ingenuamente”, seu corpo no corpitcho do Haji da noite.
Óbvio!
Cai na rede, é peixe!
Olhou, tô dentro!
Mulherada, vamos pegar!
Tá dando bola…é nóis!
Clássicos pensamentos masculinos! Sentindo que a mulher estava dando sopa, o bonitão a chamou para uma conversa no sofá da casa. E assim, a Pam ficou, por horas e horas. Em meio a esse tempo, era visível o amasso no sofá. Quando de chofre, ela chegou na Cris.
-“ Cris, você não acredita!?”- falou com ar desolado, embebida por raiva, ao mesmo que ironia.
-“ O que foi?”- perguntou a Cris, que estava no bar, procurando pela sua sétima garrafa de cerveja. (Detalhe: a Cris é a que mais bebe de nós. Não perde para nenhum homem de lá).
- “Sabe aquele super gato do começo da balada?…aquele que parecia o Haji!?”
A Cris de cara se lembrou.
- “Claro, né…acho que é o mais lindo de hoje! Vi você beijando ele no sofá. E aí, me conta, beija bem, tem pegada?”- perguntou com ares Gossip.
-“ Muita, mas o filha-da-puta deve ser casado!”
Pausa!
-“Será, mas o que ele estaria fazendo aqui, sábado à noite…cadê a mulher dele?…não, acho que não Pam!”
-“ Sério…foi assim…ele chegou com todo aquele papo de que sou linda, maravilhosa, e que tinha me visto na fila, e no bar olhando para ele…e que queria me beijar…aí, ele contou tudo sobre ele…mas ele acabou de me dizer que é casado! Ele também disse que a mulher está viajando, para eu considerar, porque ele vai se separar dela!”- a Pam estava meio puta, digamos.
Na ânsia, pediu uma vodka.
- “Como assim?…ele falou assim na lata? Do nada?…e foi embora?!”
-“ Foi…quer dizer, quando ouvi isso eu perguntei se era brincadeira e tal…ele disse que não…perguntei de novo e ele disse que era sério…aí eu levantei e fui embora…!”
Pausa!
-“ E?”
- “Aí ele veio há pouco falar comigo de novo, e disse que tinha mentido, que era brincadeira!”
-“ Nossa, mas porque ele esperaria você sair, passar um tempão, e só depois vir a falar com você, dizendo ser mentira!?”
- “Não sei, amiga…putz, claro que sei…o lance é esse…ele achou que eu ia levar numa boa, mas como fiquei inconformada, ele resolveu voltar atrás!”
-“ Afe…cretino!”
Pausa!
Pára tudo agora!
Idéia inexata!
Clássico da balada! Tipo, total óbvio, a cena acima é corriqueira na balada. A multidão de corpos, seios, bundas e peitos masculinos tem grande parte de sua cota na ala dos de-aliança-no-dedo. É básico encontrar muitos homens casados, à noite, tentado dar uma “aliviada” em outros territórios. E não foi a balada quem inventou isso não. A invenção irradiou há séculos atrás, muito antes da época dos dinossauros…menos, da época dos homens das cavernas.
Momento DEFINA:
Traição: como uma forma de decepção ou repúdio da prévia suposição, é o rompimento ou violação da presunção do contrato social (verdade ou da confiança) que produz conflitos morais e psicológicos entre os relacionamentos individuais, entre organizações ou entre indivíduos e organizações. Geralmente a traição é o ato de suportar o grupo rival, ou, é uma ruptura completa da decisão anteriormente tomada ou das normas presumidas pelos outros.
Ah, do dicionário, faltou dizer que a situação já nasceu, muito antes do ser humano nascer. E hoje, a balada seria mais um cenário para tal “troca-troca às escondidas”. Todas nós temos uma história destas na vida, e não há uma sequer que não tenha sido vítima do homem comprometido que dá um perdido na esposa de fim de semana, ora alegando trabalho ou qualquer coisa, na busca de outros corpos femininos por aí. E como não caímos na lábia(tem umas que topam, by the way-apesar de), as mentirinhas de “sou solteiro, gata” soam aos montes nas noitadas da ficada. E é claro, após aquele amasso, o bonitão sentiu que a Pamela pudesse querer o telefone dele ou tal, e assim, resolveu abrir o jogo.
Continuando…
-“ Um momento, ele te convidou para dormir na casa dele?!”-perguntou a Cris.
-“ Sim, claro…eu ia, mas senti que ele poderia ser especial e fiz um docinho. Disse que só iria se a gente passasse o domingo junto!”
Risos.
-“ Hum, o cara viu que você ia pegar no pé e falou que era casado!”
-“ Nem, o lance é outro. Acho que ele pega mulher que acha que a aliança é a coisa mais natural do mundo…Tem um monte de mulher que não está nem aí se o cara é casado ou não. E assim, ele achou que eu era assim também!”
-“Hum, pena que você perdeu a balada…!”
-“ E depois ele pediu meu telefone, eu dei e tal…mas não me deu o dele…disse que o número dele é novo, não decorou ainda e que estava sem o celular naquele momento…tinha deixado no carro!”
Pausa!
-“ Vê se ele te liga, aí você pergunta, mas deve ser casado, Pam!”
-“ Também acho…e quem hoje esquece o celular? Nada a ver! Quer não deixar pistas!”
Isso, Pam, bravo! Inteligente a sua reflexão. Hoje, todo mundo está com o celular. Ora no bolso, ora nas mãos, na bolsa. Essa de “estou sem meu celular, gata!”…”acabou o crédito”…”minha bina está zuada, gata!”…”nem ouvi o cel tocar”…etc…é papo-furado em quase 90% das vezes. Lição: todo mundo está sempre com o celular. Por isso, ele foi comprado, por que sua função de vida é estar sempre ao lado. Lembro-me de uma amiga que em um dia de trabalho, realmente tinha esquecido o celular, e comentou comigo, me fazendo rir até hoje:
-“ Puta, esqueci. Nossa…estou me sentindo pelada!”
(risos sarcásticos)
Interessante como o pessoal cria as coisas, e nós consumimos com furor, como se viver sem aquilo fosse algo praticamente impossível. Imagina ter vivido no século XVIII, sem tudo isso? Não, tecnologia no sangue, direto na veia, do contrário, posso me suicidar!
(risos sarcáticos)
Arrasada, não deu em outra! Antes mesmo de começar a se perguntar se já era hora de sair(já era 4h25 da madrugada), a Pam retirou o celular da bolsa e segurou, como se esperasse a prova do crime.
Calma, Pam! Fica grudada no celular só a partir de amanhã. Poupe-me meu cerebelo.
Poupe-me? A neurótica com ares de pseudo-segura-caso-Márcio voltou correndo para os braços do amado. Claro, tipo, óbvio…eu iria voltar com ele e dormir na casa dele.
Só que ele nem desconfia da surpresa que preparei.
(risos sarcáticos)
Vamos nessa!